13 de nov de 2007

Cap 12: Ironia do destino (Igor e Cris)

_ Aqui está o que me pediu. _ Karen entregou-me um papel escrito à mão.

Eu estava molhado e os pingos de água do meu cabelo caíram em cima da tinta. Sentei na cama enrolado com a toalha na cintura.

Karen abriu o guarda-roupa e tirou uma calça comprida escura e uma blusa de estampa colorida, jogou sobre a cama. Olhei-a enquanto escolhia a roupa que eu iria vestir. Ela tinha o cabelo de um loiro queimado, escuro, fino e ralo, sempre preso em um coque. O corpo magro e esguio quase me fazia crer que o tempo consumira sua carne e só lhe deixara o suficiente para cobrir os ossos. Os lábios muito finos, pintados discretamente, em um constante rosa quase da cor da própria boca.

Ela tem uma queda por você. A voz adolescente da minha irmã me veio à mente e agora eu procurava a verdade para aquelas palavras em algum gesto, olhar, mas é como eu disse, Karen era quase invisível de tão contida em si, mesmo que nutrisse sentimentos por mim, não conseguiria perceber.

Encontramo-nos quando eu ainda era um garoto de dez anos, fazendo um teste para uma novela. Ela abordou a minha mãe com seu cartão e disse-lhe que queria me agenciar. Nem sabíamos o que era aquilo, mas Karen visionava o meu potencial artístico e enxergava o céu aonde iria me colocar como estrela. Cuidou de cada passo para que eu não pisasse em falso e me ensinou como ser duas pessoas: o Igor que está do portão para dentro de casa e o Igor que está na tela da TV da casa das pessoas. Hoje, eu sou isso: uma metamorfose criada por aquela mulher que todos os dias agendava a minha vida e a guiava.

Talvez o que Luísa vira fora apenas fruto da imaginação movida pelo ciúme. Ela nunca chegou a entender eu ter saído de casa por conselhos de Karen para abster a minha família dos efeitos colaterais do meu sucesso. Será que Karen estaria querendo me afastar deles? Essa pergunta me incomodava, às vezes, mas me parecia coerente o argumento de que aqui estava mais perto do centro urbano e do meu trabalho, além de eu poder gozar da independência e liberdade de ter a minha própria vida. Era tão lógico que a pergunta me fazia, ao mesmo tempo, me sentir mal e egoísta em desconfiar da minha assessora.

Olhei para o papel na minha mão com o telefone do trabalho de Cristiane, endereço de sua casa, e-mail e uma série de dados que excedia o que eu havia pedido a Karen para pesquisar.

_Eu quero que telefone para onde ela trabalha e peça para vir cobrir a festa. Consiga um credenciamento para ela entrar.

_Por que ela? _ perguntou.

_Eu quero. _ respondi.

Karen se aproximou de mim e falou com aquela voz sinistra de quem sempre pode prever o futuro.

_Os seus caprichos ainda vão te levar à queda.

_Eu posso. _ falei-lhe, usando do poder que um dia ela colocou nas minhas mãos.

_Você pode. Mas nem tudo que você pode lhe convém.

_Quero ela aqui, consiga isso.

_Eu não mando no trabalho dos jornalistas, Igor. Existe um abismo que separa as nossas profissões. Eu sou tão jornalista quanto eles. Temos o mesmo diploma. Mas os assessores imploram e os jornalistas de jornais decidem, são assim as regras do jogo.

_Use os melhores argumentos que você tem.

_O preço precisa valer a pena e qual é? _perguntou.

_É um segredo.

_Não existe segredo entre nós.

_Sim, existem muitos.

_Se eu não souber o que se passa com você, não vou poder estar preparada para as besteiras que vai cometer. _advertiu.

_Eu só quero ela na minha festa.

_Por que não escolhe um outro dia para trazer mais essa para sua cama?

_Não fale assim comigo.

_Eu sou paga para te manter no topo e isso inclui eu falar como quiser. _ disse entre os dentes, perdendo a paciência comigo. _Vão estar outros jornalistas aqui, as câmeras e os microfones estarão ligados e você quer trazê-la para o meio disso? Por que eu sinto que tem cheiro de vingança nesse seu desejo de obrigá-la a vir cobrir a sua festa?

_Eu não falei em vingança.

_Está no brilho do seu olho.

_São ordens. _ finalizei.

Peguei a roupa em cima da cama e fechei a porta do banheiro.

***

A redação nem parecia estar em pleno fim de semana. Muitos jornalistas foram convocados a abandonar seus planos de diversão para voltarem ao trabalho sob condições extraordinárias.

Minha chefe distribuía tarefas em voz alta. Tomás ficaria responsável pelas fotos do ator que acabara de morrer. Luís teria que entrar em contato com a agência de quem éramos associados. Josiane buscaria todos os trabalhos realizados por ele durante sua carreira. Fabiano cuidaria de uma apresentação em flash do enterro, com depoimentos de amigos. Eu ficaria com o acidente em si.

A pizza logo iria chegar e aquele seria nosso almoço sobre o teclado. As televisões ligadas nos canais noticiosos não paravam de exibir imagens da batida de carro.

_Já subi a primeira nota no site. Vamos lá pessoal, a cada segundo estamos perdendo para a concorrência! _ Minha editora passeou pela redação, parando em cada terminal de computador para ver se todos estavam sob o ritmo que ela impunha.

Quando, finalmente, se contentou e voltou para sua sala, eu consegui relaxar. Parei os dedos sobre o teclado e respirei fundo. A imagem de Igor cruzou o meu pensamento.

Ele parecia estar na minha frente, sentado no sofá, conversando comigo sobre seus problemas, agora. O cabelo picotado e tingido de dourado nas pontas. O rosto de garoto com um pouco de barba rala por fazer. Braços fortes que terminavam em mãos delicadas.


Eu senti que alguma coisa tinha sido mexida dentro de mim, alterando o lugar dos sentimentos, como quem troca de posição os móveis da sala . Era quase ridículo eu estar atraída por alguém mais jovem como ele. O fato de ser famoso não poderia lhe dar uma “permissão de entrada no meu coração”.

Abaixei a cabeça e a afoguei nas mãos. Eu sei porque tinha sido tão estúpida e agressiva com Igor. Ele estava me fazendo querer ficar mais próxima dele e eu não desejava isso. Precisava fazê-lo me repelir, mas era inútil. Mal pisco os olhos e me vejo no centro de sua vida. Não seria diferente aquela noite.

Cheguei ao meu apartamento muito cansada. Cruzei com o senhor Valdir nas escadas.

_Você sabe que já está atrasada em dois meses de aluguel, não sabe?

_Sei. Eu vou lhe pagar. _ olhei para as chaves em minha mão. _ Eu tive que comprar remédios para minha mãe e...

_É o último mês que espero. _ ele desceu as escadas e eu fiquei ali segurando o corrimão por um tempo, ainda. Cansada de tudo, desmotivada.

Tomei um impulso e subi. Abri a porta do meu apartamento e fui recebida por minha gatinha Moli.

_Oi, minha linda... _ abaixei e fiz um afago em sua cabeça.

Joguei a chave em cima do móvel que havia no corredor da entrada. Olhei meu rosto no espelho oval acima dele. Estava abatida. Abri os botões da blusa e fiquei só de sutiã.

Liguei o chuveiro para um banho demorado. Ouvi meu celular tocar na sala. Mantive minha cabeça debaixo d’água querendo me enganar de que era só ilusão, alucinação, ressonância mental depois de passar o dia ouvindo tantos telefones tocando na redação. Passado um tempo, ele parou de tocar.

Sequei-me e caminhei até a sala. Abri o celular para ver quem estava ligando. Era minha chefe. O que ela queria ainda?

Fui até meu quarto. Peguei uma camisola em cima da cadeira ao lado da prateleira e vesti. Procurei uma calcinha preta na gaveta do guarda-roupa de duas portas.

O telefone começou a tocar em cima do criado-mudo. Sentei-me na cama e atendi.

_Cris?

_Oi.

_É a Ludimila. _ disse minha chefe.

_Pode falar. _equilibrei o fone entre o ouvido e o ombro. Enfiei os pés na calcinha e me levantei para suspendê-la.

_Tenho uma coisa para te propor.

_Ãnh. _ ajeitei a camisola e voltei a sentar-me.

_A assessora do Igor Frinzy me ligou. Ele está dando uma baita festa de aniversário.

_É? Hum. _ tentei mostrar interesse, mesmo já sabendo bem mais do que ela imaginava.

_Você podia cobrir a festa e ficar de folga na segunda-feira.

Fiquei calada por alguns segundos refletindo nas conseqüências de dizer “não”. Eu tinha que renovar o meu contrato com o site, era importante mostrar interesse.

_Tudo bem. Eu faço. _aceitei.

_Ótimo. Vou te passar o endereço.

Eu fingi que estava anotando e depois desliguei. Tinha de cor o caminho para a casa dele.

Deitei minha cabeça no travesseiro. Olhei para o teto e ri, cansada. Levei a mão à testa. Que ironia, eu estava mais uma vez sendo levada para perto de Igor.


Li Mendi

10 comentários:

Li disse...

Olá, meninas!
Um ótimo dia para vocês!
Beijos da Li!

Carol disse...

oi Li!!!

Tah fkandu boum mexmu...

soh um detalhisinhu... vc fez dois capítulos 11[:p]

mais u restu tah otemo!!!

Bjinhu ni vc Li

Deisinha Rocha disse...

Cris, minha amiga... senta aki e vamos conversar... olha só, acho bom vc ir se acostumando com essa casa... tenho a nitida certeza de q vc voltará para ela várias e várias e muitas vezes...

rsrs

bem...

Li, bjOo ni vc...

Li disse...

hahahah só tu deisi. adorei o "senta aqui" hahahah

ah carol, valeu vou editar, nem reparei.

bj ni vcs duas!

Laine disse...

Ow Li, por favor me diz que vai colocar mais um capítulo a noite!!!!! kkkkkkkk!!! To viciadíssima!!! Ah Li, só vc para nos deixar tão viciada em seus livros!!
Beijo enorme!!!

Li disse...

Oi, Laine, minha querida leitora!
Olha, rs, não sei se vai dar, posso tentar.
É que essa semana eu estou fechando a monografia.
Estou tão estressada, sem comer (só comi um pão até agora desde que acordei), não tenho mais unhas, quebraram de estresse, ai eu cortei tudo.
isso para tu vê como to doidinha rs.
vamos combinar assim? me deixa teu email aqui. toda vez que eu atualizar o livro, te comunico.
fechado?
beijocas.

Laine disse...

Oooow Li, nem se preocupa! heuheuheuehue! Falei isso pq fico super anciosa esperando o pr�ximo cap�tulo! Vc me deixa viciad�ssima em seus livros!!! Boa sorte com a monografia, pq eu ja vi como stressa. E Monografia+aspirantado+ transfer�ncia?? � de deixar qualquer um louco!! heuheueheuhue! Vc ja comprou seu vestido? O meu s� falta o do baile, o que est� me deixando louca, j� que passa uns 3 dias na custureira e tenho que estar com ele em minhas m�o at� dia 21 a noite, pra guadar na mala e correr pro aeroporto... Ai, to t�o feliz e anciosa!!

Laine disse...

*mãos
Ah, me empolguei falando do baile e acabei esquecendo de coloca meu meu email: elaine_aranha@hotmail.com
Beijão! ;@@

sarah disse...

Ai oq será q ele ta aprontando heim?!
bjs

mari disse...

Ai aiai aiai....
Esse guri tá querendo aprontar alguma pra Cris...
Olha lá em Sr. Igor.
Veja bem oq vai fazer pra depois não se arrepender. Teu pai sofre até hj por ter matado o cãozinho da tua mãe...huahauhauha.

Bjkitas Li linda.