19 de nov de 2007

Cap 16: O que devo saber? (Igor)

Subi a comprida ladeira que dava acesso à rua da casa da mãe de Cris. Olhei a folha de papel rasgada da agenda de Karen e conferir os números nos portões. Era um bairro de bonitas casas, modestas, mas bem cuidadas, com jardins floridos e crianças brincando nas calçadas. Algumas mulheres sentadas no portão em cadeiras de praia conversando.

Bem devagar, fui guiando o carro pela rua até achar o prédio da esquina. Tinha cinco andares e uma fachada de pastilhas branco e marrom. Estacionei do outro lado da calçada e agradeci por não ter muita gente por ali. Eu não chamaria tanta atenção.

O que me movia fazer aquela visita? Meu coração. Imediatamente me veio à mente os conselhos de meu pai para seguir o que eu desejava e, não, o que era tecnicamente certo para o meu marketing pessoal. Mas, o que meu coração sentia? Isso ainda era uma mistura confusa até então. Apertei o botão do interfone.

Coloquei as mãos no bolso da calça e apoiei o pé no degrau da entrada. Fiquei olhando para o chão e pensando em qual propósito da vida ao me unir àquela moça. Eu não conseguia sentir raiva por causa do artigo sobre a festa, porque não me atingira em um ponto que me prejudicasse realmente. Pelo contrário, Cris mexeu não com Igor artista, mas com o Igor pessoa. E isso se deu bem antes da matéria. Era Karen que sentia raiva de Cris, não eu.

_Quem é? _ a voz no interfone me trouxe à realidade.

_Oi. É da casa da Cris?

_Da casa da mãe dela.

_É... É o Igor, senhora.

_Ah! Sim. Você veio? Abriu o portão aí?

Ela pensou que eu iria mentir e deixá-la esperando? Franzi a testa e empurrei o portão.

_Sim, abriu, obrigado.

_Pode subir.

_Tá.

Abaixei a cabeça quando cruzei com duas adolescentes no corredor. Elas pareceram não acreditar se tinham mesmo visto o que pensavam que tinham visto.

Entrei no elevador e ainda me olhavam incrédulas.

_Já sei. Pareço com aquele ator, né? _ ri para elas. _ Todo mundo fala. _ encolhi os ombros.

_Ãnhhh._ elas deram um risinho.

A porta do elevador fechou e foi minha vez de rir com ironia. Maravilha, agora eu já podia me fingir de sósia de mim mesmo. Que versátil.

A mulher me esperava à porta do apartamento. Ela sorriu e o pequeno cachorro negro aos seus pés latiu.

_Quieto! _ ela reclamou com ele.

_Eu prometi que vinha, eu vim. _ sorri e me inclinei para cumprimentá-la, pois era bem mais baixa que eu. Senti suas mãos gordas apertarem minhas costas com carinho.

Era uma mulher obesa dentro de um vestido florido largo. Sua casa cheirava à canela. Era uma sensação boa estar ali. Olhei os móveis antigos, ornamentados com objetos de família. Uma manta vermelha xadrez sobre o sofá creme e uma mesa de madeira redonda onde havia bolo de banana e xícaras. Descobri de onde vinha o cheiro da canela.

_Sente-se meu filho. _ ela indicou com a mão uma cadeira. _ Eu não sei se vai gostar, você deve comer de tudo.

_Para mim? _ perguntei, vendo que o bolo estava fatiado, mas completo ainda dentro do tabuleiro.

_Sim, coisa rápida. _ fez um ar de pouco caso.

_Puxa, obrigado. _ sentei-me.

_Café?

_Por favor.

Bebi um pouco do café e fiz uma observação instantânea.

_Hum... Nada como um ótimo café bem coado. Coador de pano, certo?

_Isso mesmo! Como sabe? _ perguntou.

_São anos tomando café expresso, ele é mais ácido. Não tem o sabor do café caseiro...

_Fico feliz que goste. _ ela me passou o bolo em um prato com garfo.

_Mas vim aqui só para provar seus dotes culinários? Se for, já está aprovado e pode chamar de novo.

_Que isso... _ a mãe de Cris riu e me olhou com ar de contemplação.

_Eu não acredito que está aqui.

_Por quê? De repente, eu estou na televisão da sala e agora estou na sala? _ perguntei, já sabendo o que todos diziam.

_Também. Mas é uma longa história... _ ela suspendeu as sobrancelhas e acariciou o pano de crochê branco sob o jarro de rosas artificiais.

_A senhora sabe o que a sua filha fez? _ tentei dar partida na conversa.

_Sei. E sei também o que você fez a ela.

_Eu? O que ela te contou? Porque...

_Não! Não! _ abanou as mãos no ar em negativa. _ Eu não me refiro à agora, mas ao passado.

_Passado? Nós nos conhecemos faz uns dias.

_Ela te conhece há mais tempo que imagina. Melhor, ela te conhece mais do que imagina.

Eu mastiguei lentamente e continuei olhando-a curioso e também assustado.

_Bom, se a senhora não me disser, não vou adivinhar mesmo. _ ri nervoso.

_Eu te chamei aqui, porque... _ ela me pareceu finalmente disposta a pôr fim ao mistério. _ ... Antes, quero te agradecer por ter me dado um pouco do seu tempo. Eu estou tomando uns remédios para o coração e não posso sair na rua, me dá uma alteração na pressão...

_Não se preocupe.

_ Enfim. eu vi sua entrevista na televisão. Eu sei que as pessoas acreditam em tudo que você fala. Mas o que você fala é só uma versão dos fatos. Assim como disse em cadeia nacional que minha filha usou de uma versão, deveria ter dito que aquela era a sua história. Claro que não faria isso, não seria bom para você.

Eu não argumentei nada, não queria começar a discutir depois de uma recepção tão acolhedora.

_Agora seria interessante se você conhecesse a Cris. Não a Cris que você acha que conhece.

Eu não deveria conhecer mais nada. Aquela confusão toda tinha que ter um fim. Mas se eu estava ali era porque eu queria continuar, era errado, eu sei. Mas, eu queria ver no que toda aquela cadeia de ligações iria dar.

_Ao que se refere?

_Não preciso dizer nada, você verá com seus próprios olhos. Vá até aquele quarto. _ apontou para uma porta no corredor.

Eu fiquei parado por um instante, mas depois vi que ela não me daria mais pistas. Só me restava levantar. Caminhei pelo corredor já meio escuro e senti um frio na barriga. Segurei a maçaneta de cobre redonda e girei lentamente.

Li Mendi

4 comentários:

Li disse...

Olá, minhas leitoras.
Desculpe a demora, essa manhã passei editando o final da minha monografia que parece obra de Igreja, nunca acaba.
Mas cá está o capítulo, como sempre.
Beijos para todas.
Vou correr para sair, tenho 15 min para me arrumar!!!! aieeee.
Fui.

Deixem o recadinho de vocês.

Ng nega q ele é filho do Ruan, um pedaço do bolo de banana para quem disser por quê!

HAHAHAHAHAHAH.


Li

KÁKÁ disse...

a portaaaaaaaaaaaaaaaaa....
pooo... o igor eh igual ao ruan jah vem ele parando a história na porta..kkkkk ai meu Deus..rs...
li te adoro bjuuu

aninha disse...

iaiaia.... que surpresas vem por ai ???? jesus!!!!!!

meninas, fortes emoções no diário de carolina!!!! essa semana fecharemos a primeira parte e na segunda o Fabiano passa a narrar a história... por que será ????

www.odiariodecarolina.zip.net

titta_* disse...

familiazinha pra gostar de portas,viu?!
kkkkkkkkkk...

kd,Li! fiquei curiosa! =P