1 de abr de 2008

Cap 28: Verdades e anonimato (Igor)

Meu pai estava decepcionado comigo até as próximas gerações. Dizia que a família teria que abafar o caso para que isso não afetasse a minha reputação futura. Na verdade, eu estava preocupado era com a imagem de outra pessoa. Sentado na varanda, ouvindo música com os fones de ouvido, eu podia sentir a satisfação de trabalho cumprido. A mina estava enterrada e eu ficava à espreita de ouvir o barulho da explosão.

_Rui? _ franzi a testa ao vê-lo no meu portão. _ Entra aí, tá aberto.

_Você está louco? _ ele subiu os dois degraus aos pulos, aproximou-se afoito e me pegou pela camisa. _ O que tem na cabeça? Como pode...?

_O que foi? _ arregalei os olhos e meus fones caíram do ouvido, deixando a música abafada no ar.
_Como me pergunta? Eu te dei a senha.

_Tá, mas eu não sabia que tinha que te dar satisfações do que escreveria!

_Algum problema? _ minha mãe apareceu na porta, atraída pela nossa briga.

_Não! A gente só estava falando alto. _ disse-lhe e ela ainda olhou por um tempo para mim que me afastara dois passos atrás e olhava o chão de madeira.

_Hum... Então, procurem não fazer barulho porque sua irmã está dormindo.

_Tudo bem, mãe.

Ela entrou e Rui passou a mão na cabeça.

_Aquele idiota precisa saber que não é o todo poderoso. Ele me ferrou.

_E pensa que vai ficar quieto depois do que publicou? _ perguntou-me.

_Mas não é anônimo? Há algum número de IP que possa ficar registrado ou algo assim?

_Não, não...

_Então pronto, até parece que está querendo defendê-lo! Ficou com pena agora? Aquele babaca me fez quase ser expulso por uma falsa cola e agora meu pai não sabe se acredita em mim ou me condena como pior filho do mundo. O que escrevi não foi nada, é um beliscão em comparação ao estrago que ele fez. _ expliquei-lhe.

_Você não entende como funciona aquela escola, cara. _ subestimou-me. _ Você não entende nada...

_Tá. Deixa eu recapitular. Há dois blogs de turmas rivais desde a quinta série. Eu simplesmente loguei e escrevi umas coisas. O que tem de complexo nisso?

_Acha que todos podem escrever e ficarem anônimos?

_Mas é anônimo ou não é caramba?! _ comecei a ficar com medo de que o sigilo da fonte ficasse apenas na palavra-chave da senha.

_Se apagar talvez seja pior. Ou não... _ ficou devagando e não me respondeu diretamente.

_Olha, eu estou agradecido por tanta preocupação. Mas acha mesmo que o Tiago vai querer me bater de novo...? É, acho melhor eu apagar. Só tem 2 horas no ar. _ levantei-me. _ Quer entrar?

Ele acompanhou-me até o quarto. O meu computador estava na tela de proteção. Mexi o mouse e abri a página do blog para uma última olhada.

_Está cheio de comentários. Não posso apagar. Vai ser pior, aí que vão falar mesmo... _ comentei baixinho e ele ao lado, sentado na beirada da cama, nada acrescentou.

Li mentalmente de novo a pequena nota que escrevi: “Michele não anda almoçando ultimamente e isso não faz parte de uma nova dieta revolucionária. Ela está se exercitando e também não me refiro a academia. Seu cérebro anda trabalhando como nunca. Veja que até arranjou um parceiro de estudo. Será que vai terminar como nos filmes e as mãos se encontrarem debaixo da mesa? O que sabemos é que Tiago não seria nada bom para esse papel, seu cérebro ainda não foi tirado da embalagem”.

_O que acha mais perigoso? A parte do cérebro intacto ou as mãos debaixo da mesa? _ perguntei.

_A parte que mais me preocupa é... _ esticou o pescoço e procurou na tela a linha do texto que queria. _ ...“Veja que arranjou até um parceiro de estudo”.

Eu o olhei por alguns segundos e gelei.

_Não era você... era?

_Obrigado por me enfiar em uma roubada! _ falou irônico e aborrecido comigo.

_Putz... _ levei a mão à testa.

_Mas, você está de costas na foto e o armário tampa metade do seu corpo. Relaxa.

_Acha mesmo que vai ficar barato? Dessa vez não vou precisar do meu cachorro Rex, mas de um Tiranossauro Rex!

_Quer que eu apague ou não?

_Agora já era... Eu não queria que ninguém soubesse.

_Desculpe, cara. Não sabia que o lance do estudo era segredo.

_Se fosse só isso...

_Vocês fizeram alguma coisa? _ arregalei os olhos.

_Não! _ balançou a cabeça. _ Mas, essa era a idéia.

_Droga, estraguei tudo. Estou com raiva de mim mesmo.

_Mas, como você disse, quem sabe ninguém descubra...

Enquanto ele tentava se acalmar, abri o link dos comentários e logo nas primeiras linhas senti que não dava mais para voltar atrás.

_O que está escrito aí? _ perguntou.

Afastei a cabeça para que pudesse ler, pois eu não queria lhe dar aquele golpe.

Bastidores: O que as pessoas escreveram nos comentários? Afasta mais que eu quero verrr! Hunf, só amanhã. Então, a gente espera, né?

Autora: Li Mendi (leia outros textos da autora em Trilhas da Vida)

2 comentários:

Laine disse...

Aaai Li!!! Vc ta me mataaando de curiosidade!! Uma das melhores horas do dia � sentar aqui, esquecer de tudo e mergulhar na est�ria, esque�o de tudo e de todos! Hoje sentei pra assistir uma novela que eu costumava assistir, nao consegui, ent�o vim pra c� pra ver se tinha cap�tulo novo e gra�as a Deus tinha!! Adoooro ler suas est�rias!
Beijo enorme!

Aninha Barreto disse...

vc e sua mania de nos matar de curiosidade!!!!hehehehe!!! bju grande!!!!!