10 de abr de 2008

Cap 32: Anos de colégio, nem tão velha assim (Cris)

_Você falando isso me lembra meus tempos de adolescência. _ Igor riu.

_Fez parecer como se fôssemos dois velhos!

_Você que é. _ riu e eu não achei a mesma graça. _ Estou brincando, hen?

_...

_Continua. Fala! _ pediu.

_Sobre o colégio?

Hum. Eu não era boa aluna. Mas, não era medíocre... aliás, uma coisa que eu sabia fazer eram contas. Por exemplo, quando você tem uma prova na sexta e em plena quinta-feira, oito horas da noite, você está lendo pela primeira vez o 15º capítulo de história que vai cair no dia seguinte: não tem por que se desesperar, são 45 capítulos e ainda nem começou o Jornal Nacional.


Na segunda-feira, você acha que é dia de relaxar, é aquele dia da semana que é seu. Na terça, enche o peito de confiança e diz que pode deixar para estudar na quarta. Na quarta, começa a arrumar o material de estudo. É um ritual religioso completo. Primeiramente um pouco de luz, você liga a lâmpada da escrivaninha. Aí, resolve procurar um lápis na gaveta e descobre que precisa arrumá-la. Se você pode demorar mais um pouquinho, faça esse “esforço”. Três horas depois, arruma os livros, um em cima do outro, empilhados perfeitamente. Aquilo não é uma biblioteca! Depois, abre um a um. Putz, para que arrumá-los, então, caramba? É um ritual, ora! Aí saca as folhas que servirão de resumo. Aliás, resumo é uma coisa fantástica, ali entra tudo o que você não sabe e vai ler no ônibus, uma hora antes da prova. Caramba, se não aprendeu até ali, por que perder o tempo escrevendo a droga do resumo? Não conteste as crenças...

Bom, você respira fundo e começa a ler com vontade, calma e paciência. Aí, dá aquele grito básico para quem estiver na sala abaixar o volume, faz uma ceninha de que você é a pessoa mais importante no mundo porque estuda. Lá pela décima página, você já domina a leitura dinâmica, que consiste em olhar as palavras chaves em uma velocidade de uma página por trinta segundos. De repente, seus olhos se desviam para a unha. Está rachada no canto. Aí, você larga o livro e procura a lixa. Sempre naquele pensamento de que “vai dar tempo”.

Faz uma parada na geladeira. E quando digo parada é ficar em pé olhando para a manteiga, água e pote de feijão por 2 minutos com cara de quem escolhe o cardápio de 20 opções de molho do Espoleto. No fim, você fecha a geladeira e pega um pacote de biscoito da gaveta. Abre aquele lacre como um bambolê, dando uma bela volta com os dedos em posição de pinça e oferece o primeiro todo esfarelado e quebrado para o seu irmão.

Caminha para o quarto e senta novamente diante do livro. Bate um sono e você dorme, sempre deixando as páginas abertas ao lado do corpo para seus pais pensarem: “Nossa, como essa garota é tão esforçada, né?”. Na véspera, aí entra minha capacidade única de contar. É assim, você começa na dança das folhas, passando freneticamente uma a uma. Mas a técnica é: a cada vez que começar uma página conta quantas faltam. Você pode não lembrar porra nenhuma do que leu, mas ninguém vai poder duvidar que havia 42 páginas e meia, sem contar as figuras. Porque tem essa também: quando há gravuras você respira aliviada, vai ser mais rápido.

Agora, sabendo que você estudou tanto, mas tanto, seria injusto tirar uma nota baixa. Aí, você começa a corrente. Pede para sua mãe, sua tia, sua avó que escuta o Padre Marcelo, a mãe de santo da faxineira, todo mundo tem que rezar por aquela prova! Se você fosse um filme, sem dúvida seria “A espera de um milagre”.

E, depois de 759 vezes fazendo isso, você passa no vestibular e pronto, pode jogar o HD fora e colocar uma nova memória. É legal. No ensino médio todo os professores falam: “Preste atenção, porque você vai precisar disso!”. O que seu professor diz no primeiro dia de aula na faculdade? “Esqueçam tudo que aprenderam na escola”. Estudo é assim descartável, jogue naquelas latas coloridas e pronto.

Sem brincadeiras, agora. A faculdade de comunicação é totalmente diferente. Você tem vários tipos de professores. O fantasma, o estagiário e o artista. O fantasma é aquele que nunca vem e, quando vem, só dá susto com alguma prova. O estagiário é o que acabou de passar no concurso e quer mostrar tudo o que sabe como um google ambulante que cospe dados confiáveis (ou não) e a cada frase sua diz “eu acho que você queria dizer...”. Mas, o fantástico é o artista. Esse aparece um dia vestido de abóbora- gari com um colar redondo enorme que te faz ter medo de olhar e ser puxado pela mulher de O Chamado. Aí, ele fala que você vai dar a sua própria nota, porque ele não é repressor e acredita que cada um constrói seu conhecimento. Na verdade mesmo, ele finge que dá aula, você finge que presta atenção (mas está escrevendo um bilhete para a amiga do lado) e o curso finge que é bom. Como você não é uma pessoa arrogante e é muito autocrítica, vai se dar 9,0.



Li Mendi

2 comentários:

Laine disse...

Ai Li, nem me fale em coisas para entregar amanha, pq eu tenho que entregar 3 partes de uma mini-monografia para entregar amanha.
Beijo!

Laine disse...

Ufa! Consegui terminar!! Gra�as � minha m�e!
Quer dizer que vc n�o � uma pessoa arrogante e se daria 9,0? kkkkkkkk! Me ensinaram a dar nota quebrada, por exemplo, 9,5 para o professor querer arredondar, kkkkk.

Li, depois de ler este cap�tulo fiquei com uma pergunta "martelando"... e como se chama aquele professor que n�o d� mat�ria nenhuma e cobra o mundo? kkkkkk!

Beij�o Li!!