22 de abr de 2008

Cap 39: Olhos que permitem (Igor)

Sentado no sofá de casa, eu tinha na cabeça a voz de Michele remota e frágil, longe, só um sussurro: “não deixe de lutar pelo que queira”. Era assim que me sentia agora: abdicando de fazer o que tinha vontade com medo de tudo que viria pela frente, se eu tomasse qualquer atitude. O sorriso de Cris não me saía da cabeça. Ele surgia no centro da minha mente, enquanto eu tentava me concentrar nas folhas do script em minha mão. Larguei a caneta marca-texto de lado e o bloco de folhas. Passei as mãos no rosto.

Karen despediu-se e eu só balbuciei um “tchau”. Ela me conhecia e sabia que eu estava descentrado como nunca. Ficou em silêncio, parada no canto da sala. Mas, saiu sem nenhuma pergunta.

Tamborilei com os dedos sobre as coxas e dei um impulso para levantar. Se já não tinha mais jeito e o fato era consumado, então, eu ia levá-lo a cabo. Desci até a garagem e tirei minha moto.

_Está chovendo, não quer ir de carro, senhor Igor? _ o segurança que ficava na portaria perguntou.

_Não, prefiro de moto. _ respondi-lhe e esperei que o portão automático abrisse.

No caminho da casa de Cris, eu até cogitei se minha necessidade de estar perto dela fosse uma vontade de recompensá-la pelo desprezo que lhe dei um dia. Seria pena? Não. Definitivamente, meu anseio em conquistar sua atenção era bem além de uma origem tão pequena e fraca. Havia uma energia e força no ímpeto de libertar o que se passava comigo que só o amor poderia ser a explicação.

Agora, não havia mais ninguém para me impedir de ficar com quem eu queria. Exceto eu mesmo e isso já era bastante coisa. Eu sabia que estar ao meu lado não era fácil, pois teria que me dividir com o mundo. Mas, eu não me deixaria ser o vilão da minha felicidade.

Aproveitei que uma moradora estava saindo para segurar o portão e passar. Subi as escadas e parei com a mão na porta. Respirei, pensei que já tinha chegado até ali... e toquei a campanhia.

Eu não tinha nada preparado para lhe dizer, não havia escrito roteiro algum. Enfiei as mãos nos bolsos do jeans e nunca estive tão nervoso. Vi o vulto de uma silhueta pela fresta, no chão da porta, depois o barulho da chave, o trinco em dois estalidos metálicos e a porta se afastando para dentro. Levantei meus olhos e eles se encontraram com os dela.

_Igor? _ ela franziu a testa.

_Oi.

Ficamos ali parados, fingindo uma surpresa e uma conveniência, quando na realidade tínhamos consciência de que não dava mais para esconder que a gente não era só amigos, ou “patrão e empregada”, como ela insistia em reafirmar.

_Se veio aqui sobre o livro...

_Se fosse sobre o livro, eu poderia esperar. _ interrompi-a.

Cris engoliu em seco, colocou o cabelo atrás das orelhas como gostava de fazer quando estava apreensiva.

_Entra... _ abaixou os olhos e ficou na mesma posição.

Eu me vi no centro de sua sala, pronto para falar-lhe o que não conseguia segurar por mais nenhum minuto na garganta e ela não ousava nem me olhar.

_Cris... _ chamei-a.

Ela levantou o rosto e descruzou os braços, quis fugir para a cozinha.

_Vou fazer um café...

_Não quero... _ não deixei que passasse, me posicionando entre os dois sofás. _ Você sabe o que eu quero...

Ela se afastou um passo atrás e pareceu nervosa.

_E o que você quer? _ levantou os olhos e vi que estavam brilhantes, cintilando um pavor que não entendi.

_... _ emudeci.

_Não dá, entende? _ meneou a cabeça para o lado e relutou.

_Não.

_Será que não vê, Igor? É tão claro. _ olhou dentro de mim, como se a pergunta fosse no universo do contexto de todo uma vida passada até então.

_Não vejo, não entendo e não me peça para entender, porque eu não vim aqui para isso.

_Para quê, então? _ ela pôs a mão direita na cintura.

Ouvi o barulho de alguém na cozinha. Senti pela primeira vez um medo de ter feito a coisa errada em vir até sua casa. Ela estava acompanhada de outro homem?

_Com licença. _ ouvi uma voz feminina atrás de mim. Virei e vi que era uma mulher. _ Prazer, sou a amiga de Cris.

_Prazer. _ estendi-lhe a mão, aliviado. _Igor.

_Já ouvi falar muito de você.

Olhei para Cris e captei um olhar de repreensão para a amiga que me fez rir.

_Quero dizer, está em todos os jornais. _ ela tentou se explicar.

_Sim, claro...

_Mas, não se preocupem comigo, finjam que nem passei por aqui. _ pegou a bolsa em cima do sofá e pôs sobre o ombro direito.

_Eu não queria atrapalhar... _ disse-lhe.

_Não se preocupe, tenho que buscar minha filha na casa da minha mãe. _ ela deu-me dois beijos e caminhou para a porta. _Depois nos falamos, Cris.

_Tá. Vai com Deus.

A porta se fechou e estávamos de vez à sós.

_Igor, eu tenho que trabalhar, sabe? _ ela caminhou para uma mesa no canto da sala, querendo se socorrer em qualquer papel que comprovasse uma desculpa para eu cair fora.

_Mentira! Você entregou o livro hoje para mim, o que vai fazer mais?

_Eu faço outras coisas além do seu livro, sabia? _ ela me falou sem qualquer tom de certeza.

Caminhei até ela, que ficou encostada na beirada da mesa, sem ter para onde mais escapar.

_Você não está na sua hora de trabalho. _ falei sério.

_E quem disse que existe hora para trabalhar?

_Você mesma.

Dei o último passo que faltava para nossos corpos se encostarem. Coloquei minhas mãos sobre as suas para que se tranqüilizasse. Toquei no seu cabelo e ela não levantou a cabeça. Eu esperaria, já tinha chegado até ali. Todos os anos para chegar até ela, eu esperaria...

_Igor, não é simples assim. Não com o meu coração... _ falou baixinho.

_Você nem deixou acontecer.

_Eu já deixei há muito tempo. _ Olhou-me em cheio e agora havia uma permissão em seus olhos.

Bastidores= E, agora Cris? Só amanhã saberemos...

7 comentários:

Lê disse...

Aiiiii q agonia!! eles não vão se beijar de vez?? hehehe tô adorando, tá mto bom, prendendo a minha leitura!! =)

Não me canso de parabenizá-la pelas histórias...

bjoss

Quel disse...

A Li quer me matar do coração!!!!hehehehe
Tava toda empolgada pq ia rolar o tal beijo tão esperado e....NADA!hehehe
Mais uma vez repito que estou adorando demais!!!Parabens Li!!!
Beijos

Li disse...

Lê, querida!
Obrigada pelo parabéns rs. quase assoprei a velinha rs. brincadeira. Pois é... quero vcs aqui dia a dia hen! vamos ver a cris contando amanha. beijooos.

Li disse...

quelzinha, querida, rs, caaalma, guria, é beijo de novela, só no next capítulo rs.

bjuuuuuuuuuuuuuu ni vc!

kamylla disse...

ooooo Li do céu vc quer me matar de ansiedade é?! hauahauauaua nusss nao vejo a hora desses dois se beijarem logoo...ai ta emocionante to amando o livro!!!

Parabéns viu! Sempre adoro td q escreve!!

bjusss


=***

Aninha Barreto disse...

Li Mendi, definitivamente vc está testando os nossos corações ??????!!!!! ai que agonia!!!!!! esse beijo sai ou não sai ?????? muita espera!!!!!

Laine disse...

Aninha, concordo com vc! Eu tenho certeza que não tenho nenhum problema cardíaco, isso sem nem precisar ir ao hospital para fazer qualquer exame!!
Estou adoraaaando!!!
Beijão Li!!