27 de abr de 2008

Cap 41: Proteção (Igor)

Karen franziu a testa em uma mistura de indignação e raiva:

_Como assim? Você está me expulsando?

Eu não respondi de imediato, tomei fôlego e oxigenei o cérebro. Sabia que não seria fácil a tarefa de rearrumar a posição das pessoas em minha vida. Comecei por dizer-lhe que alugaria uma sala. Gostaria que Karen organizasse um escritório receber os jornalistas e guardar materiais ao meu respeito. Criaria, com um isso, um ambiente de trabalho que não misturasse minha vida privada com a profissional.

_Eu acho que está sendo pouco prática... _ comentei.

Ela riu sarcástica, levantou-se e passeou pela sala com as mãos na cintura. Parou e me olhou fixamente quando pareceu achar mais um ponto acusatório contra mim.

_Eu sempre fui objetiva e você não deu o devido valor! Prova disso é o que está tentando fazer, me excluindo da sua vida. Como posso querer ser sua assessora sabendo sobre você através da Internet? Se é para isso, pode contratar qualquer uma... como a Cris, por exemplo.

Senti que estava alfinetando e querendo que eu incluísse a Cris na situação. Mas, eu não faria isso. Eu tinha prometido que não tocaria no nome dela. Fizemos um compromisso, à pedido da própria Cris, para não demonstrarmos a ninguém o que estávamos passando.

_Eu só quero reorganizar a minha vida.

_Você está tendo algum caso com aquela jornalista? _ perguntou, agora sem rodeios.

_As decisões que tomo faço por conta própria. A posição geográfica não vai impedir o seu profissionalismo. Combinaremos horários para nos encontrarmos.

_Não me respondeu o que perguntei. Sabe que uma hora ou outra os jornalistas vão começar a me questionar...

_Diga a eles que estou sozinho. _ falei-lhe, sem explicitar se isso era só uma desculpa, ou se de fato estava sem ninguém em mente.

Karen arrumou suas coisas contrariada e saiu com passos ruidosos. Eu não me levantei de imediato do sofá. Cris, que tinha ouvido tudo da cozinha, apareceu na porta da sala com os ombros encolhidos e as mãos no bolso de trás da calça jeans.

_Não queria que fosse assim... _ ela aproximou-se e eu levantei.

_Tem coisas na vida que deixam arranhões quando as empurramos de um lugar para outro. Não se preocupe, dará tudo certo. _ sorri. Contornei o desenho de seus lábios com meu polegar e sorri. _ Agora estaremos sozinhos e só vai existir você no meu mundo pessoal.

_Não estou acreditando. _ ela envolveu meu pescoço em um impulso e me beijou.
Eu sabia que não seria possível protegê-la por muito tempo, mas, quem sabe, não fosse o suficiente para estar forte o bastante a fim de encarar a evasão da sua intimidade.

Abracei Cris com carinho e beijei seu cabelo. Queria colocá-la em uma redoma de vidro e escondê-la do mundo, mas para isso precisaria entrar junto na cúpula protetora.

Tive medo de perdê-la, temi que não conseguíssemos nem tentar, mas não demonstrei nada disso. Não se deve anteceder os fatos. Que eu aproveitasse, então, o momento ainda seguro e longe dos flashs.

4 comentários:

Quel disse...

Primeira!!!hehehhee
Adoro esse Igor fofo!hehehe
Beijoss

Laine disse...

Os dois ultimos parágrafos foram geniais Li. Como a despedida da calmaria que os ainda estão vivendo. Trazendo para minha realidade (sua antiga realidade), cada partida e despedida dos namorados... (Pausa para enchugar as lágrimas.)
Beijão Li

Aninha Barreto disse...

por que será que eu senti um cheiro de intriga no ar ?????

Aninha Barreto disse...

ai vim aqui de novo pra ver a secretária idiota furiosa!!! que mulher tonta!!!!!! afeee!!!