30 de abr de 2008

Cap 43: Nada pronta (Cris)

Igor levantou a cabeça e virou para o lado. Karen estava em pé, com a boca entreaberta. Seus olhos fotografavam a cena com todos os closes possíveis.

_Desculpem... _ ela se tocou que tinha interrompido algo e a ficha caiu. Procurou alguma coisa pelo sofá e achou seu Palm. _ Sabia que tinha deixado aqui... _ mostrou-nos e sorriu. _ Eu já vou... _ caminhou de volta para a porta.

Igor abaixou a cabeça e fechou os olhos, eu franzi a testa e o empurrei com as mãos no seu peito. Sentei e puxei minha blusa para baixo.

_Vai atrás dela, eu sei que quer fazer isso. _ disse-lhe. _ Vou beber uma água. _ levantei e fui até a cozinha.

Olhei disfarçadamente para trás e o vi correndo sem camisa para a varanda. Mordi o lábio inferior e esqueci a idéia da água. Caminhei com passos leves até a janela. Afastei a cortina lentamente e vi Igor segurando o braço de Karen. Depois, falou bem junto de seu rosto, tentava quebrar a frieza de sua expressão com inúmeras desculpas.

Eu ri irônica e balancei a cabeça para os lados. Onde eu estava me metendo, meu Deus?

Igor gesticulava agora com movimentos amplos e eu queria saber o que falavam. Cheguei perto da porta e fiquei ali quieta.

_Já que você decidiu ficar com ela, porque não a apresenta de vez? É melhor, antes que comecem os rumores...

_Eu queria esperar.

_Hoje tem uma festa para ir. Leve sua nova namorada.

_Eu não sei...

_Não esqueça do seu trabalho! _ Karen clicou com o lápis no Palm. _ Sete horas começa.

_Tudo bem.

Karen desceu os três degraus da varanda e entrou no seu carro. Igor encontrou comigo de braços cruzados próxima ao sofá e entendeu que eu tinha visto e ouvido toda a cena.

_Cris, eu disse que ia ser complicado.

_Você não quer tentar?

_Claro que eu quero! Eu não sei se vo-cê quer.

_Me pergunte.

_Quer ir hoje a festa comigo e mostrarmos que estamos juntos? _ perguntou.

Eu pensei um pouco.

_Vão estranhar muito. Será a história. Imagina, a jornalista que era a vilã do ator agora é seu mais novo caso. _ disse com a voz carregada de ironia.

_Não é um caso. _ corrigiu.

_Desculpe, estou pensando como jornalista e avaliando seu histórico de relacionamentos superficiais.

_Eu não estou te obrigando a nada, Cris. Se não quer ir, tudo bem. É o meu trabalho e você não precisa fazer parte desse mundo. Eu só quero que saiba que dessa vez não será superficial porque eu já estou mais dentro disso que nunca!

_Eu vou...

_...Ãnh?

_Ora, eu vou. _ decidi.

Igor ficou sem saber o que dizer.

_Tudo bem. Quer que eu ligue para Karen? Ela pode te dar umas dicas e...

_Não precisa, eu vou me virar sozinha. _ respondi.

_Tá. Se é assim que quer... como faremos? Te pego na sua casa? Você se arruma aqui?

_Eu posso me arrumar aqui. Vou em casa buscar uma roupa.

_Ok, então. _ Igor aceitou.

Assim foi feito. Quando entramos no carro em direção a festa, eu comecei a sentir um ligeiro pânico. Era como entrar em um livro encantado de uma história fabulosa. Eu estava prestes a ser uma personagem e não sabia se concorreria ao prêmio de coadjuvante. Respirei fundo. Igor segurou minha mão.

_Você está linda. _ falou no meu ouvido.

_Obrigada. _ sorri.

O carro parou e vi pelo vidro dezenas de flashes, fotógrafos se acotovelando como grelhas assassinas do filme Resident Evil, A extinção.

_Pronta? _ Igor perguntou.

2 comentários:

Laine disse...

Eita adrenalina!!!

Quel disse...

Uhulll Cris corajosa!!!
hehehe...