30 de mai de 2008

Cap 55: Tomando a situação (Cris)

A campainha tocou e eu apertei o botão para atender ao interfone:

_Quem é?

_É o advogado de Igor. Trouxe uma coisa para a senhora.

Ouvi o barulho dos repórteres ao fundo.

_Pode subir. _ autorizei.

O homem que vi ao abrir a porta era jovem, mas careca no topo da cabeça e vestia um terno azul.

_Entre. _ indiquei com a mão.

_Pensei que não conseguiria passar pela barreira lá embaixo. _ ele riu.

_Estão ali como urubus sobre a carniça esperando eu descer.

_E o que pensa em fazer? _ perguntou.

Eu fiquei calada. Era estranho ter um homem que nunca vi sentado no meu sofá, querendo saber dos meus planos.

_Deixa eu me apresentar melhor. Meu nome é Henrique Fontes. Eu vou defender seu... Hum. O Igor.

_Vai entrar com um processo por danos morais? _ perguntei.

_Depois sim. Agora o mais importante é conseguir tirá-lo da cadeia.

_Cadeia? _ repeti a palavra como um espirro incontido.

_A senhora não sabe...?

_Do vídeo?

_Até onde sabe...?

_Do que está falando? _ perguntei.

_Igor está sendo acusado de tentativa de homicídio.

_Quê? Ele está preso?

_Está. E me mandou até aqui ver como você está...

Eu me levantei e andei de um lado para o outro da sala.

_Agora estou pior! _ respondi. _ Como isso aconteceu?

_Ele ficou tão nervoso com o que a assessora dele fez que tentou agredi-la. Só que, segundo ele, a mulher enlouqueceu e quis se matar. Quase conseguiu!

_Onde ela está?

_Internada no hospital.

_E por que Igor está sendo incriminado?

_Ele falou alto que iria matá-la e os porteiros ouviram. Mas, no fundo, não era sua intenção chegar a tal ponto. Karen começou a gritar que ele estava tentando esfaqueá-la e isso piorou a situação para o lado dele porque, ao chegar na cozinha, o segurança viu que Igor estava rolando no chão com Karen e ela ensangüentada.

_Meu Deus... _ sentei no sofá, atônita. De repente, o vídeo era um detalhe pequeno para o que conseguiu se tornar pior.

_Essa mulher é louca total.

_Ele escreveu isso para você. _ o advogado me entregou uma folha de papel escrita de caneta azul.

Caminhei até a janela e lá, atrás da cortina fechada, li:

“Eu queria estar te escrevendo palavras lindas, em algum lugar bonito para te dizer boas notícias. Agora o que tenho é uma jaula, letras tristes e péssimos presságios. Mas, o que ainda me resta é você. Vão te perseguir e tentarem vender sua tristeza como se comercializa a nova versão de um carro na TV. Nessa hora, lembre-se de nós e da vida que quis nos unir. Te peço coragem, quando me falta também. Por favor, Cris, não me abandone, nem me condene. Os meus atos inconseqüentes de antes são poeira, possível de assoprar e ser levada pelo vento. Já o que aconteceu conosco é uma verdade que quero levar para sempre. As pessoas vão se divertir com o vídeo e torná-lo motivo de piadas e conversa de bar, depois esquecem. Só que eu não quero ser esquecido por você também. Meu amor, eu vou provar que não fui culpado, que não tentei matar Karen. Depois, quero estar ao seu lado. Cris, me ajude. Lute por mim agora.”

Afastei a cortina com a ponta dos dedos e vi os repórteres lá em baixo.

_O que pretende fazer? _ perguntou ele.

_Me espere um minuto? _ pedi.

Fui até meu quarto e fechei a porta. Olhei-me no espelho oval que havia em cima da penteadeira. Acariciei minha barriga, respirei fundo.

“Lembre-se de nós e da vida que quis nos unir”.

Descemos as escadas do meu apartamento e Henrique abriu a porta de vidro para eu passar. Vários flashs começaram e serem disparados.

“Vão te perseguir e tentarem vender sua tristeza como se comercializa a nova versão de um carro na TV.”

_Na porta da delegacia está pior. _ ele falou próximo ao meu ouvido.

Virei meu rosto em sua direção e falei decidida:

_Não se preocupe, eu sou profissional.

Bastidores= Última semana do livro Fonte do Amor. Imperdível!

24 de mai de 2008

Capítulo 54: Proteção (Igor e Cris)

Olhei para o lado e vi grades de ferro. A próxima coisa que consegui enxergar foi um policial um pouco desfocado. Apertei os olhos e, ao abri-los, constatei que não era sonho. Então, deveria ser um pesadelo real. Sentei-me assustado e constatei que havia sangue na minha blusa. A última coisa que lembrava era de estar brigando com Karen pela posse da faca. Senti uma mão agarrando minhas costas e depois um soco. Quem me trouxera para ali?

Perguntei ao policial, que mandou eu ficar quieto e esperar meu advogado. Hei! Eu precisava ser defendido de quê? Senti falta do celular para poder ligar e pedir socorro para alguém. Que ironia... Karen certamente era a primeira pessoa em quem eu pensaria há um ano. Bastava discar seu número mágico e pronto, haveria alguém para resolver tudo por mim. Agora, eu estava sozinho.

A primeira visita que recebi não fora do meu pai, acompanhado por um advogado.

_Eu sei que não seria capaz. _ sua primeira frase era mais um pedido de confirmação do que certeza. Havia uma reticência duvidosa em seu olhar e voz.

_Claro que não! Eu não iria matar ninguém...

_As coisas estão complicadas para o seu lado. _ disse o advogado.

_Eu não matei!

_Na justiça não basta o sim pelo não. Temos que provar. Só que existem muitos agravantes no meio dessa grande confusão que se armou.

_Grande confusão? _ senti que eu não estava tendo real noção da dimensão das coisas.

_O segurança ouviu você falar que a mataria.

_Foi uma força de expressão! _ expliquei.

_Acompanhada, claro, de vocês dois na cozinha engalfinhados no chão e a sua assessora com uma faca cravada na barriga. _ complementou.

_O que aconteceu com Karen, eu não lembro...

_Ela tentou se matar e te incriminar. _ meu pai me respondeu. _ Está em estado gravíssimo no hospital.

_Ah! Aquela pilantra, filha da mãe... _ dei um murro na mesa. _ Eu agora sim vou lá terminar de matar ela e com vontade!

_Não seja maluco! Cala essa boca! _ meu pai me segurou pelos braços. _ A imprensa inteira está aí fora contra você. Não complique as coisas.
_A Cris, meu Deus, a Cris! _ lembrei-me dela e senti vontade de protegê-la, mas não podia, estava também precisando de proteção de todas as acusações caluniosas.

_Eu não sei... Mas, depois de tudo que está passando na TV e na Internet eu até entendo que...

_Tv, Internet...?

_O vídeo...

_O vídeo? _ franzi a testa e um lampejo de lembrança me fez gelar o semblante. _ O vídeo foi divulgado?

_Já está na fase viral.

_Quem fez isso? _ perguntei. _ Karen! _ dei mais um murro na mesa. _ Agora eu vou matar aquela...

_Senta aí. _ meu pai me segurou na cadeira e me fez sentar.


***

Quando entrei em casa, senti-me fraca. Só queria meu travesseiro macio e o edredom fofo para me abrigar e chorar quieta minhas próprias dores. Não podia acreditar que Igor e Karen... Fechei os olhos com força. Afastei a lembrança das cenas da cozinha com força.

O telefone tocou. Primeiramente, pensei em não atender, mas depois conferi o número no visor.

_Oi, Rebeca.

_Não precisa dizer nada, eu te entendo...

_Ãnh?

_Eu vi. Todo mundo viu, aliás. Estou te ligando para saber...

_Do que está falando Rebeca?

_O vídeo.

_Qu... Como teve acesso?

_Está na rede.

_Rede? Quem pode...? A Karen!

_Não sei quem, mas está virando o vídeo do momento. Só se fala disso.

_Foi postado quando?

_Na madrugada de ontem. _ respondeu, depois de pedir um minuto para conferir o dado.

_Então, ela já tinha planejado? Isso quer dizer que o beijo da cozinha foi armação?

_Ãnh?

_Nada. Tanta coisa está acontecendo.

_Quer que eu vá para aí?

_Não precisa, agradeço. Quero ficar sozinha. _ respondi. Não sabia se Rebeca realmente queria falar comigo ou conseguir um grande furo de reportagem.

Eu podia me livrar gentilmente dela. Mas, o que dizer do batalhão de fotógrafos na portaria do meu prédio? O porteiro já não sabia como contê-los.

***

_Eu preciso falar com a Cris.

_Não será tão fácil trazê-la até aqui.

_Um papel e uma caneta. Anda, preciso escrever para ela. _ pedi para o advogado.

Ele me entregou o que eu queria e eu comecei a escrever freneticamente, antes que o tempo da visita acabasse. Entreguei-lhe a carta:

_Entregue em mãos para a Cris. Quero que tomem providências para tirá-la imediatamente do apartamento dela. Levem-na para um lugar reservado e longe da imprensa! Não quero ninguém vendendo jornal às custas do sofrimento dela.

_Nem parece estar preocupado em se defender. _ meu pai comentou.

_Eu posso me defender e conseguir que a justiça me perdoe. Mas, dificilmente, se apaga do coração de uma mulher a decepção que sentiu ao ver um ato de traição. Seja ele mentira ou verdade.

_A que ponto chegamos? _ meu pai estava desnorteado.

_A que ponto chegaremos? _ adiantou-se o advogado.

22 de mai de 2008

Cap 53: Loucura (Igor)

Entrei pela sala como um projétil que já tinha o destino certo. Eu era um rastro de fogo cortando o ar. Quis arremessar aquele computador na parede e espedaçá-lo.

_Não adianta, não está mais aí. _ Karen falou com a voz fria e os olhos cintilando.

Congelei, como a câmera que detém a cena e deixa os objetos suspensos.

_Já está na Internet.

_Você não...

_Não, eu não. _ corrigiu e deu uma risada enlouquecida. _ Alguém, um anônimo qualquer...

_Por que está fazendo isso comigo?

_Quem começou?

_Isso não é uma guerra! _ franzi a testa indignado.

_Eu vou destruir cada tijolinho do castelo que ergui para você.

_Você está louca! _ agarrei-a pela gola da blusa.

_Me solta! _ gritou e correu para a cozinha.

_Eu não vou te perdoar! _ peguei-a pelos braços e a apertei contra a pia.

_Socorro! _ Karen gritou.

_Eu posso cair, mas você vai vir junto. _ tampei sua boca com uma das mãos e seus olhos se esbugalharam.

_Hummm... _ tentou falar.

Karen puxou uma faca que estava em cima da pia com uma das mãos que soltei por alguns segundos.

_Você ousaria tirar a vida de quem ama? _ perguntei, sentindo o metal frio no pescoço abaixo da minha nuca.

Destapei a sua boca.

_Se não pode ser meu, não será de mais ninguém.

_Se me matar, não impedirá que Cris continue gostando de mim, nem que minhas fãs me idolatrem, nem que...

_E se eu me matar?

_Ãnh?

_Eu não posso fazer as pessoas te amarem. Mas, eu posso afastá-las de você.

_Você está louca!_ tentei puxar a faca de sua mão. Contorci seu pulso.

A faca caiu no chão e fez um estalido metálico. Peguei mais rápido que ela, mas tive que duelar no chão para impedir que tomasse de mim.

_Não vai me incriminar! _ puxei seu braço com força, mas ela conseguiu recuperar a faca.

_Você nunca mais será o mesmo! _ Karen sorriu, feliz por estar sob o controle. _Igor, não me mate! Igor não me mate! _ berrou e dei-me conta de que os gritos eram para chamar a atenção do segurança.

Eu atirei-me sobre ela e rolamos pelo chão, mas Karen conseguiu o que queria, cortando-se em um ato de loucura passional. Senti duas mãos puxar a minha camisa por trás e depois um punho fechado no centro do meu rosto fez tudo se apagar.

Quando acordei, senti uma forte dor de cabeça. Abri os olhos com esforço e percebi que estava deitado em um colchão duro. Assustei-me. Que lugar era aquele?

17 de mai de 2008

Capítulo 52: O pior golpe

Trilha sonora do capítulo (clique aqui)

Desci para o café da manhã e encontrei Karen na minha cozinha falando no interfone.

_O que faz aqui? Permitiram sua entrada sem me falarem nada?

_Você estava dormindo.

_Nos deixe a sós. _ pediu para a minha empregada, que se retirou prontamente.

_E ainda por cima manda na minha casa? _ ri, irônico.

_Eu sempre fiz isso. Tudo pode voltar aos velhos tempos. Eu pensei bem sobre tudo que eu falei. Estava nervosa...

_Karen, só há para mim uma via: você procurar um outro trabalho na boa, sem brigas, ok?

_Eu não saberia fazer nada além de cuidar de você.

_Por favor, não torne tudo mais difícil...

_Igor, é você quem está complicando. Porque nossa dupla era perfeita até você se apaixonar por aquela jornalista.

_Reconheço que você é uma ótima profissional. O problema é que nossa interação não está boa.

_Não pensava assim até aquela mulher ter revirado sua cabeça...

_Fala como se eu me apaixonar rompesse alguma cláusula contratua. É exatamente isso que me sufoca e aprisiona. _ desabafei.

_Eu não quero ficar longe de você! Eu te amo! Eu te amo, Igor! _ Karen empurrou-me até a pia e me beijou à força.

Quando consegui afastá-la percebi que poderia existir algo pior que estar sendo beijado pela minha chantageadora: Cris em pé, na porta da cozinha. Senti um frio na barriga, que bem poderia ser uma descarga de adrenalina para me avisar que eu estava em apuros. Eu não consegui, em um primeiro momento, falar nada.

_Que bela cena! _ Cris bateu palmas e sua voz estava embargada.

_Não é isso que está pensando!_ falei.

_Eu vi, Igor. Não subestime minha inteligência!

_Espera. _ corri atrás dela, precisava lhe explicar que não a estava traindo.

Karen não se manifestou, voltou-se para seu computador e sua agenda como se tudo que acabava de acontecer não tivesse envolvido a sua pessoa.

_Igor, se tiver que me dizer alguma coisa agora, então, fale porque eu prefero ouvir da sua boca que ler nas capas das revistas.

_Cris, eu te amo e não seria capaz de te fazer sofrer...

_E por que será que eu estou chorando?

_Porque está entendendo tudo errado.

_Ah! Então, me explique! Porque quero entender o significado correto de eu chegar à sua casa e encontrar sua assessora com a língua na sua garganta.

_Eu acho que eu posso explicar. _Karen entro na sala, trazendo seu laptop.

_Não vai falar nada. Não foi chamada para essa conversa...

_Deixa ela falar! _ Cris pediu.

_Não! Ela só vai deturpar tudo... _ comecei a demonstrar desespero e isso aguçou a curiosidade dela.

_É o mínimo que posso fazer. _ Karen colocou o computador sobre a mesa. _ Depois de todos esses anos só o que sei fazer é falar pelo Igor. _ ironizou, enquanto apertava alguns botões.

_Não precisa fazer isso. _ abaixei a tela e falei baixinho para Karen. _ Por favor, não...

_Eu quero ver. _ Cris se aproximou.

Não havia mais solução, nem maneira de esconder de Cris. Ela que sempre acreditara que o mundinho das celebridades era um lugar frio e sem sentimentos, onde todos ficam com todos e não têm laços afetivos com ninguém se tornaria , depois de ver o vídeo teria certeza disso.

Karen e eu nos afastamos e sobre os ombros dela vimos quando apertou o botão do play. Eu senti-me realmente envergonhado pelo que havia feito.

Christina Aguilera - Hurt


A primeira cena que viu foi de Karen e eu bebendo no sofá. Ela com alguns botões da blusa aberta e minha mão sobre sua perna. Começamos a nos beijar e o que se sucedeu era difícil de relembrar. Virei de costas e coloquei as palmas das mãos na nuca. Olhei para Karen a fim de captar sua expressão diante da eminência da destruição do meu namoro.

Quando ouvimos a parte principal do vídeo não agüentei e avancei sobre o computador para pausar. Pus as mãos nos ombros de Cris.

_Eu posso explicar... Isso já fez muito tempo.

Cris virou o rosto para mim e aquele olhar de decepção era um golpe profundo.

_Eu não quero ouvir nem ver mais nada que venha de vocês dois... _ ela se afastou.

Corri atrás de Cris até o portão, mas ela pediu para deixá-la em paz e sozinha.

_Ah, Karen, eu vou matar você! _ grunhi e parti para dentro de casa.

12 de mai de 2008

Capítulo 51: Fora da agenda (Cris)

(Trilha Sonora clique aqui)

Minha mão estava trêmula quando disquei o número de Rebeca no telefone. Ela deveria estar muito ocupada na redação, mas aquilo não poderia deixar para depois.

_Alô? Rebeca, sou eu, a Cris.

_Oi, mulher. Tô meio enrolada agora...

_Rebeca é muito sério.

_Que houve?

_Ai eu não sei como foi acontecer...

_Cris, tem que falar rápido.

_Rebeca, eu estou grávida.

_O quê? É de quem eu estou pensando?

_Lógico! Eu estou com ele, né? Que pergunta!

_Desculpe, mas isso é uma bomba!

_É uma bomba em off, não ouse publicar isso em lugar nenhum.

_Claro. Mas, ele já sabe?

_Não, né? Eu empurrei a situação, tentei me enganar, mas fiz o teste e não deu outra. Estou esperando um filho. Eu acho que vou pirar! _ falei com voz de choro, me sentando no chão da sala, com o aparelho de telefone no colo.

_Calma, nada que eu fale pelo telefone agora vai te ajudar. Escute, depois do expediente eu vou passar aí.

_Tá.

Desligamos.

Eu estava completamente desnorteada. Eu amava Igor, mas o que iriam pensar de eu ter engravidado? Não era nenhuma aproveitadora. Só que o difícil seria explicar isso. Fiquei movida pelo pavor da idéia por todo o dia e não atendi aos telefonemas dele.

_Primeiramente, um filho não é uma doença! _ foi a primeira coisa que Rebeca me disse para me animar, quando chegou aqui.

_Eu sei. Mas eu não planejei isso.

_A gente não coloca tudo na agenda, Cris!

_Não queria... _ comecei a chorar. _ Isso vai embolar tudo.

_Por quê? Ele tem dinheiro, não é nenhum morto de fome.

_Isso vai além de dinheiro. Eu não estou preocupada com isso.

_Cris, respira fundo. Acho que agora é a hora de abrir o jogo. Se deixar passar vai ser pior.

_Eu concordo. Amanhã de manhã vou até a casa de Igor para contar... Não sei nem como começar a falar...

_Não programe nada. Simplesmente diga o que seu coração sente.

Aquela noite foi de insônia total, rolei pela cama de um lado para outro e pensei nas mil possibilidades de rumos para a minha vida. Eu amava Igor e ele parecia gostar de mim. Só que eu queria uma coisa mais séria e sólida para só aí fazer os nossos sentimentos se transformarem em um ser der perninhas e braçinhos!

Rezei e pedi a Deus que ele não me condenasse ou culpasse por ter deixado isso acontecer. A responsabilidade é de ambos, mas a mulher acaba se sentindo mais culpada.

Olhei para a minha barriga e a acariciei por cima da camisola rosa. Fechei os olhos e mentalizei que nada daria errado. Eu deveria ser forte, porque agora alguém crescia dentro de mim. Um alguém com o rostinho lindo de Igor. Tá, não tinha rostinho ainda, mas na minha cabeça eu já começava a vê-lo. Quando uma criança nasce, também uma mãe nasce. Eu iria ser mãe!

Tudo bem que eu não tinha ainda uma casa, nem uma união estável com Igor. Tudo bem sua vida atribulada e tão cheia de compromissos. A gente se amava e eu queria ser feliz ao seu lado. Fiz um compromisso com meu filho (ou seria filha?) de que eu não deixaria que atrapalhassem minha felicidade com Igor.

Eu tinha esperado tanto tempo para ficar perto dele e agora estava ao seu lado. Mais: carregava um filho seu na barriga! Nada era à toa. Eu só tinha que tentar dormir e não ter um treco de tanta ansiedade.

Quando cheguei à casa de Igor eu tinha olheiras enormes e não comera nada no café da manhã. O porteiro avisou no interfone e depois falou-me que Karen, que acabara de entrar, havia autorizado minha entrada. Não sei por que ele ainda tinha aquele protocolo comigo, já que eu era a namorada de Igor. O importante é que eu precisava dividir aquela notícia.

Entrei na sala da casa de Igor já pensando que teria que esperar Karen ir embora. Mas, o que ela fazia ali? Não havia prometido a Igor que só iria vê-lo no escritório?

Ouvi a voz dos dois na cozinha. Falavam alto. Caminhei pelo corredor sem me anunciar...




Bastidores= Será que Igor espera por essa? Cris grávida! Se ela acha que tem uma notícia para dar, nem imagina a que tem para ouvir. Agora, o que Karen está fazendo ali?... Hum... O capítulo de amanhã promete. Deixem seus alôs nos comentários. Beijos!

11 de mai de 2008

Capítulo 50: Uma imagem vale mais que mil explicações

Luísa voltou da cozinha com um copo de água com açúcar.

_Não quero... _ recusei.

_Se você não me disser o que está acontecendo, sou eu que vou precisar tomar. _ ela sentou-se na minha frente em posição de lótus. _ Confie em mim. _ pôs sua mão sobre a minha.

_Eu gostaria, mas é uma coisa séria.

_Eu não sou mais uma garotinha.

_É tão complicado, a gente faz coisas por impulso e lá na frente caem na nossa cabeça como uma bomba.

_O que isso tem a ver com Cris? Ela está grávida?

_Nãooo. _ fiz uma careta. _ Ainda que fosse... _ ri. _ É uma coisa que vai destruir nossa relação, vai abalar nossa família, minha carreira...

_O que você fez Igor? _ ela olhou-me de lado, assustada.

_O problema não foi o que eu fiz. Mas o que vão fazer com o que eu fiz.

_Eu não sou boa em adivinhações, é melhor ser mais claro. Pelo menos sou alguém da sua família e sabe que não vou te trair. Divida comigo. No mínimo vai se sentir mais aliviado, mesmo que eu não possa te ajudar.

_A Karen está ameaçando me destruir.

_Quê?

_É...

_Mas como?

_Ela tem um vídeo na mão.

_E o que tem de tão sério neste vídeo que pode fazer mal para Cris e nossa família?

_Eu e Karen... _ não consegui nem pronunciar.

Luísa fechou os olhos e pediu para eu nem terminar.

_Não acredito que aconteceu... _ adiantei-me para justificar meu ato. _... Eu tinha bebido, ela também, era o fim de uma festa... Nós acabamos esquecendo o lado profissional.

_Você e aquela mulher?

_Você disse que não ia me condenar!

_Tudo bem, mas é que eu nunca poderia imaginar...

_É, a gente também achou loucura e fingimos que nada aconteceu!

_Como soube da existência desse vídeo?

_Quando Karen percebeu que eu realmente estava apaixonado, ela disse que iria mostrar para Cris um vídeo sobre mim. Só que estranhamente pediu para Cris ir até a cozinha e falar para a empregada fazer pipoca. Eu não entendi nada. Que maluquice era aquela? Então, enquanto só estávamos nós dois, ela apertou o botão no laptop e mostrou o vídeo que iria apresentar. Eu gelei. Mas, quando Cris voltou da cozinha, eu a dissuadi de ver o vídeo e consegui me safar da situação.

_Eu imagino o pânico que te deu. Não tem como a gente destruir esse vídeo antes que Cris acabe vendo?

_O meu temor é por algo maior...

_Nãooooo! Você não está querendo dizer que aquela vigarista teria coragem de divulgar o vídeo?

_Foi a ameaça dela...

_Por isso está pensando em terminar com a Cris?

_Será insuportável para Cris ser apontada em todos os lugares como a mulher que tem que dar explicações sobre o passado do namorado...

_Igor, posso dizer o que eu acho?

_Que eu sou um idiota por ter sido seduzido por Karen... já sei.

_Também. Mas, acho que você está errado em querer afastar Cris para resolver a situação. Por que não conta primeiro e depois dá a chance de ela mesma dizer que atitude quer tomar?

_É uma opção. Droga, eu estava tão feliz!

_Não adianta chorar pelo leite derramado, literalmente.

Rimos.

_Isso não tem graça! _ falei.

_Desculpe.

_Karen gosta de mim.

_Se gosta é um amor doente!

_Eu sei. Eu tentei mandá-la embora.

_Por isso que te ameaçou? Usou as armas mais sujas.

_Eu acho que você está certa, vou contar para Cris e prepará-la para caso esse vídeo vaze por aí. Meu pai vai querer me matar...

_Muita gente irá tirar sarro disso, te transformar em uma piada pública. Poucas estarão ao seu lado, por isso, é melhor garantir desde já o apoio dos que te amam.

_Um homem pode não ganhar nada com muitas mulheres de sua vida, mas apenas uma errada pode te fazer perder tudo.

_Só não entendo como ela não pode pensar na própria imagem.

_Lu, ela está doente. Não tem noção...

_Não quero nem pensar como será a reação de Cris, não queria estar na sua pele...

_Eu quero saber de onde vou tirar a coragem.



Bastidores= Caramba, eu sempre achei que essa Karen tinha algo a mais para exercer tanto poder sobre Igor. E como será a reação de Cris? Só amanhã para saber!

8 de mai de 2008

Cap 49: Erro (Igor)

_Aí está o resultado. _ Karen mostrou-me seu clipping com todas as matérias que saíra sobre mim em revistas, jornais e sites da Internet, assim que cheguei na pequena sala que alugamos para fazer nossas reuniões. _ O telefone não pára de tocar.

Respirei fundo. Além de fazer um bom trabalho como ator, ainda tinha que dar satisfaça da minha vida para todos.

_Eu vou manter o que acho certo. Se a Cris não quer aparecer, respeitarei.

_Essa garota vai acabar arruinando a sua carreira.

_Não seja ridícula. _ falei.

Karen ficou por alguns segundos com a boca aberta, na iminência de dizer algo. Nós sempre nos respeitamos muito e eu acabava de passar dos limites da educação.

_Desculpe. _ pedi.

_Ela está lavando a sua cabeça. Você não era assim. Olhe para sim mesmo, Igor!

_Eu estou feliz. Eu gosto do que sou agora, tá bom! _ levantei-me da cadeira impaciente e senti que precisava de ar. Estava pressionado e sufocado.

_Nos seus casos anteriores eu até concordei com algumas besteiras que fez, mas nesse...

_Karen, chega! _ interrompi-a. _ Chega! Chega! Eu não quero mais! _ explodi.

_Como assim? Do que está falando? _ ela deu a volta na mesa. _ Não pode largar sua carreira.

_Eu não quero largar a carreira.

_Então, o quê?

_Eu quero que a gente pare por aqui.

_Igor, não brinque com essas coisas... isso aqui é um contrato profissional...

_Que eu quero romper.

_Só pode estar brincando!

_Não estou. _ falei com dificuldade. Romper meu laço com ela era a tarefa mais dura para mim. Uma união profissional de anos que só trouxera sucesso atrás de sucesso, mas que, ao mesmo tempo, me algemava, sufocava e tolhia todos os meus movimentos amorosos. _ Eu vou te dar todos os benefícios, prometo que será um acordo justo...

_Não! Não! _ Karen foi até o bebedouro e pegou um copo de água para mim. _ Tome, você não está bem. Isso tudo está afetando o seu cérebro.

_Eu nunca estive tão lúcido. _ falei friamente.

_Será a maior ingratidão que fará em sua vida. _ falou entre os dentes.

Eu sabia que ela estava certa e suas palavras doeram em meu coração.

_Eu dei todos os meus dias a você! _ sua voz embargou e os seus olhos se encheram de lágrimas. _ E agora que surge uma garotinha como outra qualquer, você joga no lixo todo o meu trabalho? Não estou acreditando.

_Desculpe se está entendendo assim.

_Como quer que eu entenda, Igor?! Eu sei que foi ela que pediu isso a você.

Fiquei calado e a deixei na sua vez de colocar as emoções para fora.

_Só que ela não estava aqui quando você era um anônimo! Quando seu pai achava que você não daria em nada e eu batalhei por todas as campanhas que fez! Você, hoje, é um cara rico e todas as empresas te querem. Você é o queridinho das propagandas, das novelas, dos filmes... tudo que faz o público gosta. E isso não foi só parte do seu talento, mas do meu suor e agora vai me jogar no olho da rua? _ as lágrimas correram por seu rosto e isso me impediu de fazer qualquer movimento, ela sabia me paralisar.

Lembrei-me firmemente do que a psicóloga me dissera nas sessões para o tratamento de síndrome do pânico de que eu deveria enfrentar a causa de todas as cobranças, pânicos e medos interiores. Eu havia descoberto que o ponto inicial que disparava todos os meus problemas psíquicos era ela. Justamente a pessoa que me fazia tanto bem também me enlouquecia.

Cris me colocara contra a parede e me dissera que se eu não resolvesse a situação logo seria ela ou Karen. Uma situação muito dura de se decidir. Ela era a mulher que eu amava e Karen, a quem eu devia o meu sucesso. Cris já não agüentava mais me ver angustiado e triste. Eu não andava nada bem com as sucessivas cobranças da minha assessora.

_Então, termina tudo assim? Você sai por aquela porta e depois eu vou tratar com seu advogado? Simples, prático e asséptico?

_Não queria que nada fosse assim... _ falei em voz baixa. _ Mas, eu quero que a gente se afaste.

_Eu posso mudar, me fala o que quer...

_Karen! Eu não quero mais nada!

_Não pode! Não pode! _ ela gritou e seus olhos tinham um brilho intenso que me trazia muito medo. _ E você sabe por que não pode! _ bateu com o dedo no meu peito. _ Eu tenho uma coisa que só nós dois sabemos que existe. _ ela riu alto e estridente.

_Não teria coragem! _ olhei-a de lado...

Karen voltou para sua mesa, se recompôs e com um sorriso maquiavélico, pôs as mãos sob o tampo da mesa, se inclinou para frente em posição de ameaça:

_Eu posso esquecer tudo que conversamos agora e voltamos ao nosso trabalho. Ou...

_Você se prejudicaria com isso também.

_Tanto quanto você.

_A mesma pessoa que me construiu iria me destruir.

_Que bom que você sabe o peso do que tenho nas mãos.

_Você está doente!

_Não, eu sou a única... _ levantou o dedo na minha direção e sua voz saiu trêmula e ensandecida. _... que tem razão aqui e sabe o que é importante para você.

_O que quer? Quanto quer?

_Eu quero você.

_Não entendo...

_Entende sim! _ bateu com a mão no tampo da mesa. _ Você sempre soube o que eu quis! _ suas bochechas estavam vermelhas de raiva.

_Karen, você não está bem, eu não quero conversar agora assim...

_Não vamos deixar para depois, não! Não quis mexer comigo? Então, agora sou eu que vou impor as minhas condições. _ ela caminhou até mim e deu uma volta ao meu redor me provocando arrepios de medo do que fosse propor. _... Eu quero que você termine com a Cris.

_Quê? Isso nunca!

_Você é quem decide. Com ou sem ela, eu vou usar a minha carta na manga.

_Agora você que estaria sendo injusta!

_Acho que a sua queridinha não vai ficar em pé depois dessa. _ ela cruzou os braços e falou junto ao meu rosto. _ Dê a desculpa que quiser e termine com essa jornalistazinha de jornal de bairro o quanto antes!

Engoli em seco.

_Você tem o prazo de uma semana.

James Blunt - Same mistake


Eu corri para casa em desespero fugindo daquela víbora. Senti que ia ter um ataque. Entrei na sala chorando, sem ar, enlouquecido.

_Irmão? _ ouvi a voz de Luísa na sala.

_Não, não quero falar com ninguém. _ subi para o meu quarto.

_Eu vim aqui para te pedir... _ ela me seguiu.

_Luísa, não! _ afastei-a com a mão.

_Você está gelado. Igor? O que houve? Fala comigo. _ Luísa entrou no meu quarto e não tive força para empurrá-la para fora. _Igor, olha para mim! _ pediu.

_Eu estou ferrado... _ abracei-a.

_Por quê?

Eu sentei no chão e encostei na cama.

_Eu vou ter que terminar com a Cris.

_Vocês brigaram?

_Não.

_O que deu em você, Igor?

_Eu não posso colocá-la no meio desse erro.

_Igor você está falando coisa com coisa! Vou buscar uma água. Respira, fique calmo.

Luísa desceu para a cozinha e eu joguei a cabeça para trás e olhei para o teto. Cris não iria me perdoar... Eu precisava protegê-la. Ela não merecia...


Bastidores= Sempre achei que o elo entre Igor e Karen guardava revelações. Parece que ela tem alguma "bomba" contra nosso garoto. Mas, o que dá tanto medo em Igor?

7 de mai de 2008

Cap 48: Escolhas(Igor)

_Não está gostando da festa? _ Karen perguntou-me.

Estávamos em um evento de comemoração dos 25 anos da emissora onde eu trabalhava.

_Está ótima. _ respondi.

_Ah! Estou vendo... pela bebida da sua mão dá para ver. Virou purgante, o gelo derreteu completamente.

_O que quer que eu diga? _ olhei para o meu copo e constatei que ela estava certa, deixei-o na bandeja de um garçom que passou. _ Se quer ouvir que eu gostaria de ter a Cris aqui do meu lado, sinta-se satisfeita.

_Ela deveria estar aqui.

_Não acho que “deveria”, afinal, esse não é o trabalho dela. Nem precisa do meu status para nada. Cris é uma mulher linda e inteligente.

_Você é quem diz. Eu não me meto.

Que ironia! Ela era a que mais colocava o dedo na minha relação. Sempre se justificava que era para não ter muitos problemas com a imprensa depois.

_Olha quantas mulheres esculpidas pelos melhores cirurgiões e moldadas pelos mais requisitados personais. Lindas, livres, cheias de vivacidade, brilho, fama! _ mostrou e eu fiz um olhar panorâmico.

_Concordo. São lindas. Mas, eu não quero buscar aquilo que tenho. A Cris me acrescenta em outros aspectos.

_Não sei quais. Uma mulher sem classe total e sem grife.

_Eu não escolho quem gosto, é meu coração.

_Ajeita aqui a minha alça? Amarra mais firme? _ Karen pediu e virou-se para eu apertar o laço do seu vestido. _Pelo contrário... _ virou o rosto para o lado. _... Você sempre escolheu.

_Pode ser aí a diferença. Agora eu estou realmente amando.

_Como pode amar com alguns dias de namoro?!

_Eu a conheço já faz uns meses.

_Igor. _ Karen virou-se de frente para mim, estava visivelmente sensual e bonita em um vestido vermelho de decote e com o cabelo em coque. _ Você vai levar isso a sério?

_Se depender de mim, sim.

_Não queria estar ouvindo isso... _ ela virou o rosto para o lado e suspirou.

_Karen... por favor, não vamos falar sobre o q...

_Tudo bem. Eu não vou falar. _ ela sorriu forçado e seus olhos estavam cintilantes.


Bastidores= Pára! Pára tudo! Mas falar do quê? Que diálogo mais sem pé e cabeça é esse? O que será que esses dois estão tentando nos esconder? Será que amanhã a gente descobre? Vamos ver, melhor, ler.

6 de mai de 2008

Cap 47: Eu te protegi por amor (Igor)

Trilha Sonora do capítulo (clique aqui)

Entramos no meu restaurante preferido e pedimos uma ótima macarronada. Eu estava com muita fome e precisava de muito carboidrato. Cris riu e disse que eu parecia um menino comilão. Acariciei seu rosto e lhe falei ao seu ouvido que a sobremesa seria em sua casa.

_Ah é? _ ela beijou-me de leve e eum antes de fechar os olhos, pude ver um flash de luz.

Em um susto olhei para frente e reparei em um fotógrafo do lado de fora do vidro do restaurante. Fiz uma cara de bravo e me afastei de Cris.

_Que foi?_ ela não entendeu nada.

_Temos companhia!

Ela olhou para trás e constatamos que ele não só tirou fotos como estava filmando todo nosso jantar. Agora tínhamos uma “vela” para nos acompanhar.

_Por isso, que eu não consigo mais nem sair! _ levei as mãos à cabeça.

_Igor. Calma. Está tudo bem. _ Cris falou baixinho perto do meu ouvido e acariciou o cabelo da minha nuca. _ Quer cancelar o pedido? Eles vão entender se a gente explicar... podemos comer lá em casa.

_Não, não... _ respondi rispidamente, descontando a minha raiva nela.

Cris bebeu o copo de água e ficou olhando para o pão em cima da mesa fixamente.

_Desculpe, desculpe, eu sou muito impulsivo!

_Vamos embora...

_Não! Vamos ficar. Não posso deixar de fazer as coisas!

Não foi o melhor almoço. Matei minha fome física, mas minha vontade de ficar em privacidade com Cris não foi saciada. Pelo contrário, ficamos a mercê de muitos flashs.

Antes de entrar no carro, acenei para o fotógrafo que pediu um “beijo” nosso. Respirei fundo e fechei a porta.

_Para minha casa ou a sua? _ perguntei mecanicamente.

_Não íamos ter a sobremesa? _ ela riu.

_Claro. _ liguei o carro.

_Cruzes! Com esse humor só um café preto e amargo, hen!

_Desculpe...

_Vamos para minha casa, então. _ ela mudou de idéia. _Karen estará lá?

_Claro que não!

_Como as coisas mudaram...

_Ela não gostou muito.

_Eu me refiro também a você. Parece mais seguro... Mais bonito...

_Olha, o primeiro elogio que recebo!

_Aaaah, vai ficar me zoando, né?

_Eu posso ficar feliz em receber o primeiro elogio oficial, extra profissional?!

_Metiiiiido. _ ironizou de brincadeira.

_Me sinto tão bem ao seu lado. Sei que suas palavras são verdadeiras.

Quando chegamos, encontramos Karen na sala. Cris me olhou repreensiva.

_Já passou a hora do trabalho. _ falei para Karen.

_Eu sei. Eu queria que a gente visse algumas coisas...

_Não, hoje mais não.

_Como...anh... é...?

_Eu já disse que iremos marcar agora quando formos nos ver.

_Ok, depois não diga que não é importante o que eu tinha para dizer. _ caminhou em direção a porta batendo os saltos, esperando que eu perguntasse o que era.

_Igor, podia ser realmente importante.

_Podia. Mas, a única importante agora é minha sobremesa. _ ri e a puxei pela mão.

Abraçamo-nos e caímos no sofá aos risos.

_Eu queria te falar uma coisa... _ Cris disse.

_Hum.

_Eu pensei muito...

_Ãnh... fala. _ interrompi ansioso. Não agüentava aquelas enrolações de mulher.

_Eu não quero te acompanhar nas festas. Eu sei que isso pode fazer falta, levantar boatos... mas, não me sinto bem dividindo sua atenção.

_Tudo bem. Era só isso?

_Era.

_Então, seja como quiser. _ abracei-a forte e a beijei. _ Você quem manda.

_Eu mando tudo?

_Depende... se for bom...

Rimos.

Quem não encarou nada bem o desejo de Cris foi Karen. Quando combinamos o cachê para ir a uma festa promocional, ela perguntou se eu iria acompanhado. Respondi que Cris não queria participar de minha vida profissional.

_Ela não é a mulher ideal para você.

_Isso não está em discussão agora.

_Eu só falo o que vejo.

_Eu prefiro que, a partir, de hoje se limite a falar o que tem a ver com seu trabalho. Não me considere grosseiro...

_Não, que isso... _ falou irônica revirando os olhos.

_Mas, eu quero viver esse lance sozinho.

_Tudo bem. Eu sou mais experiente e tenho uma visão mais ampla.

_Que seja. Eu quero protegê-la e estou no meu direito.

_Faça como quiser. A imprensa vai falar.

_Que a imprensa se exploda! Eu não estou nem aí. Eles vão falar com ou sem namorada!

_Você está muito mudado. _ ela repetiu a frase de Cris.

_É o amor.

_Amor? Quê?

_Por que o susto?

_Você sempre namora, mas... nunca falou de amor!

_Pois, então, estou falando agora. O amor está modificando a minha vida e eu não quero dividir com ninguém. Nem mesmo em nossas conversas de trabalho.

_Igor, o que está acontecendo?

_Nada. Só isso que falei: estou feliz e não tem preço para negociar a venda dos meus momentos de alegria para revista nenhuma. Entendeu bem?

_Entendi... puxa, mas poderia explorar isso e...

_Eu não quero!

_Tátata... _Mas, continuo achando que Cris não é para você! Ela não entende nada do seu mundo.

_Ótimo, é disso que eu preciso.

Eu queria alguém que me fizesse lembrar daquele garoto Igor do colegial, que era anônimo. Que amasse um simples rapaz qualquer e eu me sentisse livre. Se ela me oferecia isso, eu a protegeria por amor a todo custo. Eu não a colocaria entre meus inimigos. Faria de tudo para que não fizessem de nossa vida uma novela factóide.

Cada um é responsável pelo que faz com sua história e eu não queria deixar mais ninguém escrevê-la. As duas estavam certas: eu tinha mudado. Talvez, ainda não estivesse consciente das proporções da minha virada de personalidade, só podia garantir que estava muito feliz.

Se eu soubesse o preço que teria que pagar por isso, teria aproveitado um pouco mais. Se tivesse lido nos olhos de Karen toda maldade que ali morava... Mas, minha ingenuidade me levou a um caminho que terminava em um desfiladeiro.

Bastidores= O que Igor quis dizer com isso? Hum... Acho que ele ainda tem muito a nos contar... Parece que Karen vai aprontar...

5 de mai de 2008

Cap 46: Não deixe o mundo entre nós (Igor e Cris)

_Valeu, pessoal! Ficou muito bom! _ o produtor bateu palmas e o fotógrafo apertou a minha mão.

Karen se aproximou com uma garrafa pequena de água mineral e uma toalhinha para limpar o excesso de óleo que passaram no meu corpo.

_Onde está a Cris? _ perguntei.

_Ela foi embora sem explicação. Fugiu.

_Como assim fugiu? _ franzi a testa.

_Sei lá. Ela pareceu um bichinho do mato...

Nem terminei de ouvir Karen. Peguei o celular e disquei o numero de Cris. Tocou, mas ela não atendeu e caiu na caixa postal.

_Você falou alguma coisa para ela? _ perguntei intrigado.

_Eu? Longe de mim. _ respondeu, mexendo no seu Palm.

Olhei o celular em minha mão, pensei em religar, mas não o fiz.

_Quanto tempo faz que Cris saiu?

_Uns minutos.

_Quantos?

_Sei lá! 15, 20...

_Vou ver se ela está em algum ponto de ônibus.

_Não! _ Karen veio atrás de mim. _ Você não pode... _ conteve-me.

Parei diante da porta de vidro do estúdio. Ela tinha razão, eu não poderia sair pela rua sem camisa. Senti-me preso como nunca. Liguei mais uma vez e torci em pensamento para que atendesse.

_Alô? _ ouvi sua voz doce e baixa.

_Cris! _ respirei aliviado e feliz.

_Oi.

_Cadê você?

_Eu estou indo para casa!

_Por que não me esperou?

_Pensei que demoraria...

_Não! Eu quero almoçar contigo, não vai escapar!

Ela riu.

_Sério! Onde está? Vou te pegar!

_Hum... chegando em casa.

_Estou indo para aí. _ disse-lhe.

_Aqui?

_É!

_Igor, eu quero hoje ficar sozinha... Preciso de silêncio. Foi tudo muito louco de ontem para hoje... eu...

_Tudo bem, eu prometo que não falo nada. Mas, estou indo agora para sua casa.

Desliguei o telefone e coloquei no bolso da calça. Vesti a camisa e peguei as chaves do carro. Karen disse que eu não tinha nada de importante para fazer.

_Ótimo!

_Onde vai?

_Sair. Nos vemos amanhã, então.

_Na sua casa? _ perguntou.

_Não. No escritório. Você não disse que já estava tudo quase pronto lá?

_Hum... mas...

_Não se preocupe, você consegue. _ pisquei o olho para ela.

***

lifehouse - you and me


Quando desliguei o telefone já estava subindo a escada do meu apartamento. Virei a chave na porta e entrei. Não demorou mais que meia hora para Igor chegar. Nesse tempo minha cabeça era uma tormenta de pensamentos que rodopiavam em uma velocidade quase desastrosa. Eu já não me sentia forte para lutar por ele. Ficar em sua casa no silêncio e privacidade era uma coisa. Mas, amá-lo sob os holofotes era outra completamente diferente.

A campainha tocou. Abri. Igor estava em pé, com um bloco de folhas de ofício na mão. Eu suspendi as sobrancelhas. Na primeira, estava escrito em letras garrafais:

_Eu prometi que não ia falar.

Sorri e balancei a cabeça para os lados. Não acredito...

_Eu vim aqui porque meu dia ainda não tinha começado sem seu sorriso.

Ele puxou a folha para trás das demais e assim foi fazendo sucessivamente.

_Nem tudo é como você pensava.

Mas eu ainda nem te mostrei nada!

Esse é o mundo dos outros.

Eles acham que sabem tudo.

Só que eu guardei o meu melhor apenas para você.

Não os deixe entre nós.

Porque eu já não sei o que é não precisar de você.

Você é a melhor parte do que chamo de eu.

Não fuja, porque vamos perder tempo retornando.

Me deixe te amar porque essa é a única coisa que não está na minha agenda.

Eu não preciso tomar nota do que guardo no coração.

Você quer o silêncio. Eu te dou.

Só não deixe o silêncio despovoado.

Posso silenciar ao seu lado?

Igor abaixou as folhas e olhou-me com os olhos marejados. Puxei-o pela mão e fechei a porta. Beijei sua boca e os papéis deslizaram de seus dedos.

3 de mai de 2008

Cap 45: É difícil ser a gente mesma (Cris)

Quando cheguei em casa era um cinzeiro quebrado: roupa e cabelo cheirando a fumaça e o corpo moído. Eu devera estar tremendamente feliz. Sempre sonhei em estar no meio das celebridades ao lado de Igor, quando era mais nova e sua fã. Quando tudo virou realidade, eu desejava não ter ido.

Preciso tomar um banho, deitar e dormir. Eu queria esquecer, mas eles não me deixariam! Na manhã seguinte, com uma boa xícara quente de café preto bem forte ao lado, abri o laptop e digitei no google meu nome e o do Igor. Já havia vários sites anunciando nosso relacionamento como “o babado da vez”.

Em um dos endereços havia um ranking das mulheres melhor e pior vestidas. Tomei um gole grande de café para digerir as frases contra mim: “Esqueceram de avisar para onde ela estava indo”, dizia um consultor de moda. Outros jornais nas colunas de celebridades contavam um resumo de nossa história, segundo a versão que lhes convieram: “A jornalista que foi o pivô do episódio do bolo de aniversário de Igor deixou a imparcialidade de lado e foi fisgada pelo ator. A assessoria informou que a moça está escrevendo um livro sobre sua vida. Será que Cris vai fazer um trabalho verdadeiramente jornalístico ou será mais um livro de fã para fãs?”.

Fechei as páginas. Eu não estava pronta (e acho que nunca estaria) para receber críticas tão ácidas de pessoas de quem nunca pedi opinião. Terminei meu café e senti que precisava da garrafa inteira depois daquele “Clipping” sobre mim mesma.

A campanhia tocou. Sorri. Seria ele querendo fazer uma surpresa logo cedo? Olhei meu cabelo no espelho e conferi se meu rosto estava apresentável. Ajustei a roupa e abri a porta.

_Karen? _ franzi a testa e arregalei os olhos.

_Oi. _ respondeu segurando a alça da bolsa com a mão esquerda com força, como se estivesse pendurada nela.

_Entre.

_Obrigada.

_Eu passei um café agora. Quer?

_Aceito.

Fui até a cozinha. Abri o armário e retirei uma xícara. Como eu morava sozinha, tomava sempre na mesma e não utilizava as outras. Lavei-a para tirar a leve poeira e sequei com o pano de prato, ficando alguns fiapos de algodão na louça. Servi o café.

_Infelizmente já está adoçado. Eu faço para mim e ponho o tanto de açúcar que gosto.

_Está ótimo. _ recebeu a xícara da minha mão.

_Eu confesso que estou surpresa com sua visita aqui... _ forcei o início do assunto.

_Eu vou ser direta. _ deixou a xícara em cima da mesa de centro e se virou mais para mim. _Como sabe, eu cuido de tudo que diz respeito à carreira de Igor desde que “Igor é Igor”.

Interessante como ela falava o nome dele enfaticamente, fazendo clara alusão a pessoa pública e ao profissional ator famoso. Parecia que, antes de conhecê-lo, ele não era nada, nem existia. Ela não cuidava só da agenda dele, mas de “tudo que lhe dizia respeito”. Será que isso me incluía e, por isso, estava ali?

_E o que isso tem a ver comigo?

_Eu não sei se já viu o que o noticiário divulgou pela festa de ontem...

_Vi sim...

_Então, Igor acha que eu posso te dar uma mãozinha para estar à sua altura.

_Foi ele que te mandou aqui?

_Foi.

Eu sabia que Igor não seria capaz de dizer que eu não estava à sua altura, essa parte era uma interpretação dela. Mas, talvez, quisesse me ajudar a estar no perfil de uma namorada de celebridade. Isso me incomodou muito, senti-me inferior.

_E como seria essa ajuda?

_Ah! Em tudo... Para começar pelas marcas de roupa que você veste, pela cor do cabelo, a altura dos sapatos e...

_Pára, pára! _ levantei a mão no ar. _ Êpa! Que isso? Você quer me transformar em algo que eu não sou?

_Olha... _ ela suspirou sem paciência. Imagino que fora um suplício ter vindo ali fazer aquele papel de personal style só porque Igor pedira. _ ... Você não acha que deve se sacrificar por ele?

_Eu gosto do Igor, mas também de mim!

_E se cuidar mais não seria se amar?

_Se cuidar é uma coisa, se transformar através de uma metamorfose de maquiagem é outra!

_Não posso te obrigar.

_Ótimo.


_O Igor pediu também que a levasse até um estúdio onde ele está fazendo fotos. Tem algum compromisso?

_Não agora.

_Vamos?

Eu continuei sentada, olhando para o chão, enquanto ela já se levantava. Eu até queria ir ver Igor, mas não com ela. Procurei forças, levantei-me e fui até o quarto me trocar.

Quando chegamos ao estúdio, sentamos em um sofá e ficamos a espera da sessão de fotos terminar. Igor era garoto propaganda de uma marca de jeans. Estava sem camisa e abraçado a uma modelo também sem blusa! Os dois interagiam naturalmente e sorrindo sempre. Será que Karen queria me testar? Eu começava a sentir ciúme daquela moça de cabelos castanhos comprimindo os seios contra o peito de Igor. Os dois faziam uma cara de tesão, depois de enamorados, outra enigmática, olhares distantes... Tantas poses sensuais.

_É de uma garota assim que a mídia quer. _ Karen comentou.

_Que bom. Porque eu sou o que Igor quer. _ rebati com a língua afiada.

_Mas você não quer aceitar melhorar sua aparência...

_Não há nada demais com minha aparência.

_Pense como quiser.

Continuei olhando para Igor, agora de zíper da calça aberto. Eu levantei-me, não queria mais ver aquela garota se apertando ao corpo do cara por quem eu estava apaixonada.

_Que foi? Não vai ficar? _ Karen perguntou sorrindo em seu ar triunfal.

Virei as costas e saí rápido da sala. Desci as escadas, caminhei em qualquer direção na rua e sentei no ponto de ônibus desnorteada. Meu celular começou a tocar. Eu sabia que era Igor, mas não queria ver nem falar com mais ninguém. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu não devia ser realmente boa para ele.


Bastidores= Karen deve estar se divertindo muito. E, Cris? Será que vai agüentar?

1 de mai de 2008

Cap 44: Quem sou eu aqui (Cris)

Quando a porta se abriu, tive vontade de tampar o rosto com a mão. Meus olhos estavam ofuscados pelos flashs. Sorri para todos e Igor veio ao meu socorro segurar minha mão. Estávamos na entrada de uma boate que fora reservada exclusivamente para o aniversário de uma atriz. Era tão estranho não estar do outro lado do cordão junto com a imprensa, e sim, no tapete vermelho, sendo amparada pelos seguranças em vez de empurrada. Enquanto me ambientava com essa nova realidade, surgiu uma dupla de humoristas de um programa de TV com microfones e câmera.

_E aí, Igor? _ disse um deles com uma voz afetada e a mão quebrando para o lado. _ Quer dizer que agora você está acompanhado? _ perguntou.

Não! Jura? Eu seria o quê? Um poodle que ele não teve com quem deixar em casa? Era irritante como não se dirigiam a mim. Senti-me uma boçal que não é capaz de responder sozinha e precisava de um tradutor.

_É... _ Igor respondeu vagamente e mandou beijos e tchau para as outras lentes que não paravam de clicar.

_E de que você está vestida? _ o outro comediante se dirigiu pela primeira vez a mim.

O que ele esperava que eu dissesse? Ah... de capa de botijão de gás? Ora! Com um vestido vermelho listado.

_Do que acha? _ repassei a pergunta para ele.

_Olha, eu não sei! Mas, como tudo que os estilistas fazem é uma baba, imagino que deve ser o perfex mais caro do mundo! _ caiu na risada.

Eu me limitei a sorrir e olhei para Igor.

_E esse sapatinho baixo! _ fez sinal para que o câmera focasse nos meus pés. _ Gente, que colegial mais despojada. Ela faz todas as suas fantasias? _ colocou o microfone na boca de Igor.

_Ela é completa. _ Igor riu e me puxou para dentro.

Ela é completa? Uau! Quase uma “prostituta com bom qi”! Que horror!

Os dois comediantes nos acompanharam e foi inevitável tê-los nos entrevistando, já que a fila andava devagar.

_Você jogou pedras no telhado dele e agora tá sobre o mesmo teto, como é isso? É ódio e desejo? _ perguntou.

_É o destino. _ respondi.

_E que destino... _ ele se abanou e piscou para a câmera.

_Gente... _ deu um gritinho histérico e saltou como uma rã. _ Olha essa bolsa! _ pegou-a e apontou para a câmera. _ É de camurça, parece aquelas almofadas de sofá de cartomante! E esses brincos? Comprou com aqueles ambulantes das praias de Cabo Frio?

Igor puxou-me pela mão e eu agradeci intimamente por termos entrado na boate logo. Não agüentaria mais um minuto aquelas humilhações.

_Eu não devia ter vindo... _ falei-lhe ao ouvido. _ Não estou bem... _ senti que minhas mãos suavam frio.

_Cris, eles são só humoristas. O que eu te falei no carro? Que você está linda. _ sorriu.

_Eu sei... mas é que isso tudo é muito opressor!

_Eu imaginei que seria assim. Vamos tomar alguma coisa. _ levou-me até o bar.

Enquanto eu bebia um refrigerante, várias amigas de Igor o abraçavam, riam alto e faziam pose para fotos. Uma delas falou em seu ouvido e depois jogou a cabeça para trás em uma gargalhada que poderia ser confundida com uma convulsão.

Eu não era ninguém ali. Queria chorar e sair correndo. Minha vontade era de estar dentro do meu pijama de flanela, comendo pipoca sob o edredom e vendo Telecine.

_Está gostando da festa? _ Igor perguntou.

Sorri apenas, sem palavras. Assim foi toda a noite: ele respondendo aos repórteres as mesmas perguntas e eu ao seu lado como um penduricalho exótico.



Bastidores= Será que depois dessa a Cris resiste? O que será que a Karen vai pensar disso?