3 de mai de 2008

Cap 45: É difícil ser a gente mesma (Cris)

Quando cheguei em casa era um cinzeiro quebrado: roupa e cabelo cheirando a fumaça e o corpo moído. Eu devera estar tremendamente feliz. Sempre sonhei em estar no meio das celebridades ao lado de Igor, quando era mais nova e sua fã. Quando tudo virou realidade, eu desejava não ter ido.

Preciso tomar um banho, deitar e dormir. Eu queria esquecer, mas eles não me deixariam! Na manhã seguinte, com uma boa xícara quente de café preto bem forte ao lado, abri o laptop e digitei no google meu nome e o do Igor. Já havia vários sites anunciando nosso relacionamento como “o babado da vez”.

Em um dos endereços havia um ranking das mulheres melhor e pior vestidas. Tomei um gole grande de café para digerir as frases contra mim: “Esqueceram de avisar para onde ela estava indo”, dizia um consultor de moda. Outros jornais nas colunas de celebridades contavam um resumo de nossa história, segundo a versão que lhes convieram: “A jornalista que foi o pivô do episódio do bolo de aniversário de Igor deixou a imparcialidade de lado e foi fisgada pelo ator. A assessoria informou que a moça está escrevendo um livro sobre sua vida. Será que Cris vai fazer um trabalho verdadeiramente jornalístico ou será mais um livro de fã para fãs?”.

Fechei as páginas. Eu não estava pronta (e acho que nunca estaria) para receber críticas tão ácidas de pessoas de quem nunca pedi opinião. Terminei meu café e senti que precisava da garrafa inteira depois daquele “Clipping” sobre mim mesma.

A campanhia tocou. Sorri. Seria ele querendo fazer uma surpresa logo cedo? Olhei meu cabelo no espelho e conferi se meu rosto estava apresentável. Ajustei a roupa e abri a porta.

_Karen? _ franzi a testa e arregalei os olhos.

_Oi. _ respondeu segurando a alça da bolsa com a mão esquerda com força, como se estivesse pendurada nela.

_Entre.

_Obrigada.

_Eu passei um café agora. Quer?

_Aceito.

Fui até a cozinha. Abri o armário e retirei uma xícara. Como eu morava sozinha, tomava sempre na mesma e não utilizava as outras. Lavei-a para tirar a leve poeira e sequei com o pano de prato, ficando alguns fiapos de algodão na louça. Servi o café.

_Infelizmente já está adoçado. Eu faço para mim e ponho o tanto de açúcar que gosto.

_Está ótimo. _ recebeu a xícara da minha mão.

_Eu confesso que estou surpresa com sua visita aqui... _ forcei o início do assunto.

_Eu vou ser direta. _ deixou a xícara em cima da mesa de centro e se virou mais para mim. _Como sabe, eu cuido de tudo que diz respeito à carreira de Igor desde que “Igor é Igor”.

Interessante como ela falava o nome dele enfaticamente, fazendo clara alusão a pessoa pública e ao profissional ator famoso. Parecia que, antes de conhecê-lo, ele não era nada, nem existia. Ela não cuidava só da agenda dele, mas de “tudo que lhe dizia respeito”. Será que isso me incluía e, por isso, estava ali?

_E o que isso tem a ver comigo?

_Eu não sei se já viu o que o noticiário divulgou pela festa de ontem...

_Vi sim...

_Então, Igor acha que eu posso te dar uma mãozinha para estar à sua altura.

_Foi ele que te mandou aqui?

_Foi.

Eu sabia que Igor não seria capaz de dizer que eu não estava à sua altura, essa parte era uma interpretação dela. Mas, talvez, quisesse me ajudar a estar no perfil de uma namorada de celebridade. Isso me incomodou muito, senti-me inferior.

_E como seria essa ajuda?

_Ah! Em tudo... Para começar pelas marcas de roupa que você veste, pela cor do cabelo, a altura dos sapatos e...

_Pára, pára! _ levantei a mão no ar. _ Êpa! Que isso? Você quer me transformar em algo que eu não sou?

_Olha... _ ela suspirou sem paciência. Imagino que fora um suplício ter vindo ali fazer aquele papel de personal style só porque Igor pedira. _ ... Você não acha que deve se sacrificar por ele?

_Eu gosto do Igor, mas também de mim!

_E se cuidar mais não seria se amar?

_Se cuidar é uma coisa, se transformar através de uma metamorfose de maquiagem é outra!

_Não posso te obrigar.

_Ótimo.


_O Igor pediu também que a levasse até um estúdio onde ele está fazendo fotos. Tem algum compromisso?

_Não agora.

_Vamos?

Eu continuei sentada, olhando para o chão, enquanto ela já se levantava. Eu até queria ir ver Igor, mas não com ela. Procurei forças, levantei-me e fui até o quarto me trocar.

Quando chegamos ao estúdio, sentamos em um sofá e ficamos a espera da sessão de fotos terminar. Igor era garoto propaganda de uma marca de jeans. Estava sem camisa e abraçado a uma modelo também sem blusa! Os dois interagiam naturalmente e sorrindo sempre. Será que Karen queria me testar? Eu começava a sentir ciúme daquela moça de cabelos castanhos comprimindo os seios contra o peito de Igor. Os dois faziam uma cara de tesão, depois de enamorados, outra enigmática, olhares distantes... Tantas poses sensuais.

_É de uma garota assim que a mídia quer. _ Karen comentou.

_Que bom. Porque eu sou o que Igor quer. _ rebati com a língua afiada.

_Mas você não quer aceitar melhorar sua aparência...

_Não há nada demais com minha aparência.

_Pense como quiser.

Continuei olhando para Igor, agora de zíper da calça aberto. Eu levantei-me, não queria mais ver aquela garota se apertando ao corpo do cara por quem eu estava apaixonada.

_Que foi? Não vai ficar? _ Karen perguntou sorrindo em seu ar triunfal.

Virei as costas e saí rápido da sala. Desci as escadas, caminhei em qualquer direção na rua e sentei no ponto de ônibus desnorteada. Meu celular começou a tocar. Eu sabia que era Igor, mas não queria ver nem falar com mais ninguém. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu não devia ser realmente boa para ele.


Bastidores= Karen deve estar se divertindo muito. E, Cris? Será que vai agüentar?

2 comentários:

Aninha Barreto disse...

oooo autora!!! por acaso tu andas de pá virada pra lua ??? tadinha da Cris!!!!! magoei, não tem bjin!rs!

Aninha Barreto disse...

oooo autora!!! por acaso tu andas de pá virada pra lua ??? tadinha da Cris!!!!! magoei, não tem bjin!rs!