5 de mai de 2008

Cap 46: Não deixe o mundo entre nós (Igor e Cris)

_Valeu, pessoal! Ficou muito bom! _ o produtor bateu palmas e o fotógrafo apertou a minha mão.

Karen se aproximou com uma garrafa pequena de água mineral e uma toalhinha para limpar o excesso de óleo que passaram no meu corpo.

_Onde está a Cris? _ perguntei.

_Ela foi embora sem explicação. Fugiu.

_Como assim fugiu? _ franzi a testa.

_Sei lá. Ela pareceu um bichinho do mato...

Nem terminei de ouvir Karen. Peguei o celular e disquei o numero de Cris. Tocou, mas ela não atendeu e caiu na caixa postal.

_Você falou alguma coisa para ela? _ perguntei intrigado.

_Eu? Longe de mim. _ respondeu, mexendo no seu Palm.

Olhei o celular em minha mão, pensei em religar, mas não o fiz.

_Quanto tempo faz que Cris saiu?

_Uns minutos.

_Quantos?

_Sei lá! 15, 20...

_Vou ver se ela está em algum ponto de ônibus.

_Não! _ Karen veio atrás de mim. _ Você não pode... _ conteve-me.

Parei diante da porta de vidro do estúdio. Ela tinha razão, eu não poderia sair pela rua sem camisa. Senti-me preso como nunca. Liguei mais uma vez e torci em pensamento para que atendesse.

_Alô? _ ouvi sua voz doce e baixa.

_Cris! _ respirei aliviado e feliz.

_Oi.

_Cadê você?

_Eu estou indo para casa!

_Por que não me esperou?

_Pensei que demoraria...

_Não! Eu quero almoçar contigo, não vai escapar!

Ela riu.

_Sério! Onde está? Vou te pegar!

_Hum... chegando em casa.

_Estou indo para aí. _ disse-lhe.

_Aqui?

_É!

_Igor, eu quero hoje ficar sozinha... Preciso de silêncio. Foi tudo muito louco de ontem para hoje... eu...

_Tudo bem, eu prometo que não falo nada. Mas, estou indo agora para sua casa.

Desliguei o telefone e coloquei no bolso da calça. Vesti a camisa e peguei as chaves do carro. Karen disse que eu não tinha nada de importante para fazer.

_Ótimo!

_Onde vai?

_Sair. Nos vemos amanhã, então.

_Na sua casa? _ perguntou.

_Não. No escritório. Você não disse que já estava tudo quase pronto lá?

_Hum... mas...

_Não se preocupe, você consegue. _ pisquei o olho para ela.

***

lifehouse - you and me


Quando desliguei o telefone já estava subindo a escada do meu apartamento. Virei a chave na porta e entrei. Não demorou mais que meia hora para Igor chegar. Nesse tempo minha cabeça era uma tormenta de pensamentos que rodopiavam em uma velocidade quase desastrosa. Eu já não me sentia forte para lutar por ele. Ficar em sua casa no silêncio e privacidade era uma coisa. Mas, amá-lo sob os holofotes era outra completamente diferente.

A campainha tocou. Abri. Igor estava em pé, com um bloco de folhas de ofício na mão. Eu suspendi as sobrancelhas. Na primeira, estava escrito em letras garrafais:

_Eu prometi que não ia falar.

Sorri e balancei a cabeça para os lados. Não acredito...

_Eu vim aqui porque meu dia ainda não tinha começado sem seu sorriso.

Ele puxou a folha para trás das demais e assim foi fazendo sucessivamente.

_Nem tudo é como você pensava.

Mas eu ainda nem te mostrei nada!

Esse é o mundo dos outros.

Eles acham que sabem tudo.

Só que eu guardei o meu melhor apenas para você.

Não os deixe entre nós.

Porque eu já não sei o que é não precisar de você.

Você é a melhor parte do que chamo de eu.

Não fuja, porque vamos perder tempo retornando.

Me deixe te amar porque essa é a única coisa que não está na minha agenda.

Eu não preciso tomar nota do que guardo no coração.

Você quer o silêncio. Eu te dou.

Só não deixe o silêncio despovoado.

Posso silenciar ao seu lado?

Igor abaixou as folhas e olhou-me com os olhos marejados. Puxei-o pela mão e fechei a porta. Beijei sua boca e os papéis deslizaram de seus dedos.

3 comentários:

Laine disse...

Li, apenas duas palavras para o capítulo de hoje: LINDO!!! PERFEITO!!!
Beijo enorme para você!

Ana Paula disse...

palmas, palmas,muitas palmas!!!! concordo com a Laine, td lindo, td perfeito!!!!!!! emoção a mil!!!!!!

Lucy disse...

lágrimas... torrenciais... lembranças tão boas de uma época que... não queria que passasse...

bjos no seu coração, Li... (-_-)