8 de mai de 2008

Cap 49: Erro (Igor)

_Aí está o resultado. _ Karen mostrou-me seu clipping com todas as matérias que saíra sobre mim em revistas, jornais e sites da Internet, assim que cheguei na pequena sala que alugamos para fazer nossas reuniões. _ O telefone não pára de tocar.

Respirei fundo. Além de fazer um bom trabalho como ator, ainda tinha que dar satisfaça da minha vida para todos.

_Eu vou manter o que acho certo. Se a Cris não quer aparecer, respeitarei.

_Essa garota vai acabar arruinando a sua carreira.

_Não seja ridícula. _ falei.

Karen ficou por alguns segundos com a boca aberta, na iminência de dizer algo. Nós sempre nos respeitamos muito e eu acabava de passar dos limites da educação.

_Desculpe. _ pedi.

_Ela está lavando a sua cabeça. Você não era assim. Olhe para sim mesmo, Igor!

_Eu estou feliz. Eu gosto do que sou agora, tá bom! _ levantei-me da cadeira impaciente e senti que precisava de ar. Estava pressionado e sufocado.

_Nos seus casos anteriores eu até concordei com algumas besteiras que fez, mas nesse...

_Karen, chega! _ interrompi-a. _ Chega! Chega! Eu não quero mais! _ explodi.

_Como assim? Do que está falando? _ ela deu a volta na mesa. _ Não pode largar sua carreira.

_Eu não quero largar a carreira.

_Então, o quê?

_Eu quero que a gente pare por aqui.

_Igor, não brinque com essas coisas... isso aqui é um contrato profissional...

_Que eu quero romper.

_Só pode estar brincando!

_Não estou. _ falei com dificuldade. Romper meu laço com ela era a tarefa mais dura para mim. Uma união profissional de anos que só trouxera sucesso atrás de sucesso, mas que, ao mesmo tempo, me algemava, sufocava e tolhia todos os meus movimentos amorosos. _ Eu vou te dar todos os benefícios, prometo que será um acordo justo...

_Não! Não! _ Karen foi até o bebedouro e pegou um copo de água para mim. _ Tome, você não está bem. Isso tudo está afetando o seu cérebro.

_Eu nunca estive tão lúcido. _ falei friamente.

_Será a maior ingratidão que fará em sua vida. _ falou entre os dentes.

Eu sabia que ela estava certa e suas palavras doeram em meu coração.

_Eu dei todos os meus dias a você! _ sua voz embargou e os seus olhos se encheram de lágrimas. _ E agora que surge uma garotinha como outra qualquer, você joga no lixo todo o meu trabalho? Não estou acreditando.

_Desculpe se está entendendo assim.

_Como quer que eu entenda, Igor?! Eu sei que foi ela que pediu isso a você.

Fiquei calado e a deixei na sua vez de colocar as emoções para fora.

_Só que ela não estava aqui quando você era um anônimo! Quando seu pai achava que você não daria em nada e eu batalhei por todas as campanhas que fez! Você, hoje, é um cara rico e todas as empresas te querem. Você é o queridinho das propagandas, das novelas, dos filmes... tudo que faz o público gosta. E isso não foi só parte do seu talento, mas do meu suor e agora vai me jogar no olho da rua? _ as lágrimas correram por seu rosto e isso me impediu de fazer qualquer movimento, ela sabia me paralisar.

Lembrei-me firmemente do que a psicóloga me dissera nas sessões para o tratamento de síndrome do pânico de que eu deveria enfrentar a causa de todas as cobranças, pânicos e medos interiores. Eu havia descoberto que o ponto inicial que disparava todos os meus problemas psíquicos era ela. Justamente a pessoa que me fazia tanto bem também me enlouquecia.

Cris me colocara contra a parede e me dissera que se eu não resolvesse a situação logo seria ela ou Karen. Uma situação muito dura de se decidir. Ela era a mulher que eu amava e Karen, a quem eu devia o meu sucesso. Cris já não agüentava mais me ver angustiado e triste. Eu não andava nada bem com as sucessivas cobranças da minha assessora.

_Então, termina tudo assim? Você sai por aquela porta e depois eu vou tratar com seu advogado? Simples, prático e asséptico?

_Não queria que nada fosse assim... _ falei em voz baixa. _ Mas, eu quero que a gente se afaste.

_Eu posso mudar, me fala o que quer...

_Karen! Eu não quero mais nada!

_Não pode! Não pode! _ ela gritou e seus olhos tinham um brilho intenso que me trazia muito medo. _ E você sabe por que não pode! _ bateu com o dedo no meu peito. _ Eu tenho uma coisa que só nós dois sabemos que existe. _ ela riu alto e estridente.

_Não teria coragem! _ olhei-a de lado...

Karen voltou para sua mesa, se recompôs e com um sorriso maquiavélico, pôs as mãos sob o tampo da mesa, se inclinou para frente em posição de ameaça:

_Eu posso esquecer tudo que conversamos agora e voltamos ao nosso trabalho. Ou...

_Você se prejudicaria com isso também.

_Tanto quanto você.

_A mesma pessoa que me construiu iria me destruir.

_Que bom que você sabe o peso do que tenho nas mãos.

_Você está doente!

_Não, eu sou a única... _ levantou o dedo na minha direção e sua voz saiu trêmula e ensandecida. _... que tem razão aqui e sabe o que é importante para você.

_O que quer? Quanto quer?

_Eu quero você.

_Não entendo...

_Entende sim! _ bateu com a mão no tampo da mesa. _ Você sempre soube o que eu quis! _ suas bochechas estavam vermelhas de raiva.

_Karen, você não está bem, eu não quero conversar agora assim...

_Não vamos deixar para depois, não! Não quis mexer comigo? Então, agora sou eu que vou impor as minhas condições. _ ela caminhou até mim e deu uma volta ao meu redor me provocando arrepios de medo do que fosse propor. _... Eu quero que você termine com a Cris.

_Quê? Isso nunca!

_Você é quem decide. Com ou sem ela, eu vou usar a minha carta na manga.

_Agora você que estaria sendo injusta!

_Acho que a sua queridinha não vai ficar em pé depois dessa. _ ela cruzou os braços e falou junto ao meu rosto. _ Dê a desculpa que quiser e termine com essa jornalistazinha de jornal de bairro o quanto antes!

Engoli em seco.

_Você tem o prazo de uma semana.

James Blunt - Same mistake


Eu corri para casa em desespero fugindo daquela víbora. Senti que ia ter um ataque. Entrei na sala chorando, sem ar, enlouquecido.

_Irmão? _ ouvi a voz de Luísa na sala.

_Não, não quero falar com ninguém. _ subi para o meu quarto.

_Eu vim aqui para te pedir... _ ela me seguiu.

_Luísa, não! _ afastei-a com a mão.

_Você está gelado. Igor? O que houve? Fala comigo. _ Luísa entrou no meu quarto e não tive força para empurrá-la para fora. _Igor, olha para mim! _ pediu.

_Eu estou ferrado... _ abracei-a.

_Por quê?

Eu sentei no chão e encostei na cama.

_Eu vou ter que terminar com a Cris.

_Vocês brigaram?

_Não.

_O que deu em você, Igor?

_Eu não posso colocá-la no meio desse erro.

_Igor você está falando coisa com coisa! Vou buscar uma água. Respira, fique calmo.

Luísa desceu para a cozinha e eu joguei a cabeça para trás e olhei para o teto. Cris não iria me perdoar... Eu precisava protegê-la. Ela não merecia...


Bastidores= Sempre achei que o elo entre Igor e Karen guardava revelações. Parece que ela tem alguma "bomba" contra nosso garoto. Mas, o que dá tanto medo em Igor?

3 comentários:

Laine disse...

Li, eu tenho umas perguntinhas...
VC QUER ME MATAR???
Como vc acaba o capítulo assim?? Por favor, escreve rápido pq eu vou enlouquecer de curiosidade, para saber o que ela está escondendo que é tão terrivel assim!!!
To amaaaaando Li e morrendo de curiosidade!
Beijo enoooorme em vc!

Laine disse...

Li, no próximo capítulo dá nem que seja uma dicazinha... heuheuheuheu!
Beijo enorme!!

Aninha Barreto disse...

porrada nessa karennn!!!! tinha que ser karen né!!!!! (desculpe se alguma leitora se chama karen, mas tenho motivos para não gostar de uma karen!!