7 de jun de 2008

Final (Igor e Cris)

Coloquei as mãos dentro do sobretudo e me encolhi. Havia acabado de sair de uma balsa do porto. Eu acabava de chegar de outra cidade. Trazia na bolsa o livro impresso. Sentei-me e olhei o mar por um tempo. Senti uma grande paz. Não havia ninguém ao meu redor fazendo perguntas, nem tirando fotos ou empurrando microfones em minha direção.

O telefone vibrou no meu bolso. Era só Rebeca.

_Como está? _ perguntou-me.

Suspirei profundamente e fechei os olhos por uns segundos.

_Muito bem. _ sorri.

_Já o viu?

_Não...

_Ele tem um filho que está na sua barriga. _ lembrou-me.

_Eu sei.

_Vocês não estão juntos ainda por quê?! _ irritou-se.

_Não sei. _ ri. _ Na verdade, eu sei. Fiquei sugada com o julgamento. Precisei dar mil coletivas e nem tivemos chance de ficar perto.

_Ou você não quis? Cris, deixa esse orgulho idiota de lado. Vai lá! Ele está livre!

Rapidamente passou pela minha cabeça a imagem do juiz lendo a sentença. Ao declarar a inocência de Igor, sua família vibrou muito e ele foi engolido pela massa de jornalistas.

_Ele vai dar uma festa hoje para os amigos. _ comentei. _ Recebi o convite da sua assessora. Sabia que ele já contratou uma?

_É mesmo?

_Mas é velha, feia e casada... _ ri.

_Menos mal. A vida é curta. Você conseguiu um grande “furo” na sua própria história. Não é sempre que alguém pode ter isso. Muita gente vive aquela mesmice chata e sem graça. Você não! Você ganhou o coração de um cara que sempre admirou e nunca conheceu de perto! Cris, pára de fazer cara feia para sorte.

_Você deve estar certa. _ suspirei.

Desligamos. Eu já havia conversado com Igor, mas não queria contar essa parte à Rebeca.

***

Abri o jornal onde havia um artigo de Cris. Ele foi reproduzido por revistas e sites. Eu não me cansava de relê-lo em diferentes formatos, edições, letras e cores.

Todo ator precisa ficar repetindo nas entrevistas que os fãs o acabam confundindo o personagem interpretado nas novelas. E quando na vida real também colocamos a máscara da peça da vida? Trocamos de figurino e nos “reconfiguramos” em mocinhos e bandidos a todo momento. A diferença entre o que se é, o que as pessoas pensam que somos e o que representamos pode dar um nó é nossa cabeça. Muita gente só consegue desatá-lo com sexo, drogas ou álcool. Virou quase regra. Porém, a generalização pode ser danosa, porque leva inocentes à cadeira dos réus da mídia.

Nestes últimos meses vimos a novela do julgamento de um ator que começou com aquele famoso bigodinho de leite no comercial da Tv e terminou como personagem principal de horário nobre. O herói foi condenado injustamente como bandido. Apenas aqueles que o amavam e o conheciam de perto acreditaram em sua inocência.

Agora, instantaneamente, ele volta a ser tratado como rei. Tudo se diluiu na fugacidade da fragmentação midiática. Para Igor não será bem assim. As noites sozinho na cela, a distância da família, a condenação de seu público e o medo de pagar pelo crime que não cometeu ficarão marcados na memória.

Era só um vídeo. Mas, geralmente tomamos a parte pelo todo. Há muito mais conteúdo a se falar de Igor que só aquela cenazinha barata e de péssima qualidade de um vídeo caseiro. As pessoas precisam se identificar com os erros dos outros para ficarem mais próximas humanamente.

Antes que terminasse de ler, minha empregada informou que meu celular estava tocando na cozinha, onde eu havia esquecido na mesa. Atendi, era minha assessora.

_Te incomodo?

_Não, pode falar, já estou acordado.

_Eu sei que marcamos os horários do dia para nos reunirmos, mas eu precisei falar contigo. É que o telefone não pára. Um monte de jornalistas querem confirmar a informação de que Cristiane estaria grávida. O que eu faço?

_Grávida? _ ri.

_Alguns dizem que a fonte é quente e muito segura. Eles estão ansiosos pelo furo, pedindo exclusividade, mas...

_Esse povo acha que eu sou coelho distribuindo filhos por aí? Já colocaram todas as minhas ex grávidas também...

_Então, eu nego?

_Claro, isso é impossível.

_Tem certeza?

Não respondi. Pensei um pouco. Não era impossível.

_Mas quem disparou isso?

_Um deles me falou que uma enfermeira de um hospital reconheceu Cris. Afinal, ela estava a menos de uma semana em todos os noticiários...

_Ai, Meu Deus...

_O quê?

_Eu acho que fiz uma besteira.

_Que isso! Um filho não é uma besteira. _ ela riu e falou com voz maternal.

_Não, não. Não me refiro a esse filho, que nem sei que fiz... É que Cris queria falar comigo e nós acabamos brigando... será que...?

_Acho melhor, então, passar isso a limpo.

_Por enquanto eu mantenho que é só uma suspeita e que vocês estão bem. Pode ser?

_Tá, tá...

Eu estava me lixando para a imprensa. Ajeitei o celular na palma da mão e imediatamente procurei o número de Cris na minha agenda.

_Cris?

_Oi.

_Onde você está?

_Por quê?

_Precisamos conversar.

Que ironia, eu estava repetindo o que ela fizera dois dias atrás.

_Esqueceu de dizer alguma coisa?

_Onde está?

_Eu acabei de chegar da editora. Estou com o livro em mãos. Vou deixar um exemplar com a sua assessora.

_Melhor, traz para eu ver. _ aproveitei-me da desculpa.

_Eu ir aí? _ ela não gostou da idéia.

_Está muito ocupada? _ tentei usar uma voz muito amorosa para quebrar o gelo.

_Para dizer a verdade eu não quero ir aí.

_Mas, precisamos conversar.

_Ah! Então, não é pelo livro.

_Esquece o livro, por enquanto.

_Igor, eu já ouvi bastante.

_Cris, não quero falar sobre isso pelo telefone.

_Deve já ter repórteres por aí por causa da festa que você vai dar e eu não estou a fim...

_Eu te encontro na sua casa.

Ela suspirou pesadamente e aceitou.

Meu pai que descia a escada perguntou para onde eu iria.

_Sair.

_Isso eu estou vendo. _ ele olhou para a chave do carro na minha mão que eu acabava de pegar de cima da mesa da sala.

_Eu vou resolver um compromisso aí. Vocês vão ficar para a festa? _ perguntei.

_Vamos sim. _ ele sorriu e deu uma tapinha carinhosa no meu rosto e no meu ombro.

Os pais nos dão vários conselhos, mas nem sempre são os melhores. Foi por causa da conversa que eu tivera com o meu pai que havia metido os pés pelas mãos. Eu havia lhe dito que minha relação com Cris estava estranha, pois ela não tinha me visitado na prisão e nem me procurado imediatamente após o fim do julgamento. Ele opinou que era melhor eu me afastar e procurar uma mulher do meu mundo, que também entendesse o assédio da mídia. Eu estava em um momento tão desnorteado que preferi aceitar essa diretriz a tentar resolver minha questão com ela.

Quando Cris me ligou eu já estava embrulhado em orgulho e rancor.

_Igor, precisamos conversar.

_Agora? _ perguntei com muita ironia.

_É, agora que pode falar...

_Eu também podia falar na prisão e precisei de você, mas não esteve ao meu lado. _ respondi infantilmente, com um menino pirracento. Como sinto vergonha de mim agora!

_É importante.

_É sobre o quê?

_Não dá para falar por telefone.

Marcamos de Cris vir até minha casa. Eu estava no sofá, lendo pela primeira vez o artigo que agora de manhã estava relendo, quando minha empregada anunciou que havia visita entrando. Olhei por cima do jornal e meus olhos se encontraram com os de Cris. Ela sorriu discretamente, contida e envergonhada, sem mostrar os dentes, apenas uma linha curva em sua boca. Seu cabelo estava solto e os cachos saíam da toca de sua cabeça emoldurando as bochechas levemente avermelhadas pelo frio.

_Oi. _ ela fez um sinal com a mão e ficou parada na entrada.

Eu não me mexi de imediato. Deixei o jornal de lado em cima do sofá e fiquei de pé. Caminhei em sua direção e ela seguiu todos os meus gestos com o olhar.

_Eu preciso te falar uma coisa. _ disse-me.

_Eu li o artigo.

_Não é sobre isso... _ interrompeu-me com pressa, parecia que já tinha ensaiado o que ia dizer e eu a estava atrapalhando.

_Fala, então.

_Igor, eu nunca planejei me aproveitar de estar com você e...

_Você veio aqui para terminar?

_Não!

_O que, então? Porque eu não sei mais se...

_Você não sabe mais se...? _ ela franziu a testa agora com medo do que eu ia dizer.

_Eu fiquei muito chateado com você, Cris. Sabe o quanto te esperei naquele lugar imundo? Um gesto de carinho se quer...

_Igor, eu estava sendo assediada por todos os lados, preferi evitar que falassem mais...

_Você sempre se preocupando com a imprensa.

Oasis - Don't Go Away


Cris olhou para o lado, mordeu a boca e riu sozinha um riso de desapontamento.

_Não dá para falar com uma pessoa que só consegue pensar em si. Eu soube hoje que a Karen morreu. _ ela fez uma pausa longa para recuperar a voz embargada. _ Ela conseguiu o que queria. Não te colocou na cadeia, mas te fez ficar contra o nosso amor. Ela venceu.

Cris virou as costas e partiu. Eu, o homem mais covarde do mundo, fiquei sozinho com meu próprio orgulho em pé, no centro da minha sala.

Estacionei o carro na frente do prédio de Cris e subi as escadarias.

***

Peguei a caixa colorida em cima do sofá e olhei o sapatinho de bebê que eu havia comprado no caminho de casa. Coloquei nos dedos e brinquei com eles fazendo um caminho em cima da minha barriga. Sorri.

A campainha tocou. Escondi os pequenos sapatos felpudos de baixo da almofada. Abri a porta e meus olhos se encontraram com os de Igor, instantaneamente fazendo meu coração disparar.

Ele entrou em silêncio e eu estendi a mão para o sofá, indicando que poderia sentar. Ele abaixou-se para pegar alguma coisa e eu me virei para fechar a porta. Quando voltei a olhá-lo, percebi que Igor tinha apanhado do chão um dos sapatinhos que escorregara do sofá e caíra na hora que tentei escondê-los.

_É verdade, então, Cris?

Percebi que ele já sabia pelo seu tom de voz. Esse era seu assunto tão importante.

_Por que me escondeu? Com que direito me escondeu? _ fez uma cara de horror.

_Com o direito de uma mãe que não quer dividir o seu filho com ninguém... _ falei calmamente e caminhei em direção a minha mesa de trabalho. _ ... Não vou vender a foto do meu filho para alguma capa de revista, nem compartilhar minha gravidez como notícia.

_Hei! Eu sou o pai! Está me incluindo no grupo dos outros?

_Não, Igor. Eu tentei falar com você, mas antes você tomou a decisão de que eu não era melhor para sua vida. Como meu filho e eu não vamos ser a mesma pessoa quando ele sair da minha barriga, não precisa ficar comigo por causa dele. Já fez sua escolha...

_Não, não... _ Igor veio até mim e isso me fez lembrar de nosso primeiro beijo, naquele mesmo local. Só que agora estava diferente, mas magro, cabelo curto e voz firme e decidida. _ Cris, eu me senti rejeitado e acabei me deixando levar pelo orgulho... Mas, eu ainda te amo.

Abaixei os olhos.

_Você me ama também? Ou tudo morreu como disse naquele dia?

Não respondi.

_Acho que isso pode ajudar a te fazer lembrar... _ ele segurou meu rosto e me beijou. Seus lábios deslizaram pelos meus e senti o cheiro do seu perfume. Sua mão apoiando a minha nuca e a outra me apertando contra sua cintura fizeram o meu corpo responder aquela lembrança de segurança e amor. Correspondi o seu beijo e senti o coração disparar.

Afastamos um pouco nossos rostos e Igor com a boca avermelhada pelo beijo intenso sorriu.

_Agora somos só nós, só nós três. Nós é que vencemos.

_Eu te amo. _ sussurrei.

_Eu também te amo. _ ele puxou-me para um beijo longo e me envolveu com seus braços.

Um dia em nossas vidas abraçamos alguém e descobrimos que nunca mais podemos nos afastar daquele abraço quente e seguro. Aí, é amor.


***

Espero que tenham gostado desse livro! Deixem seu recadinho final aí nos comentários.

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6 de jun de 2008

Cap 56: Sentença (Igor)

A comida horrível da prisão me fez perder 5 quilos. Meu rosto estava ossudo. Os piolhos também me obrigaram a raspar a cabeça. Olhei para o minúsculo espelho que usei para fazer a barba. A gotas de água escorriam pela pele lisa. Vesti a roupa limpa que minha mãe trouxera e fui algemado para entrar na viatura que me levaria para o julgamento.

A multidão na porta da delegacia era ensurdecedora. Gritavam acusações e me condenavam. Eu sentia o peso do outro lado da moeda. Os policiais me protegiam para que eu não fosse agredido.

Os repórteres se espremiam contra o vidro do carro e disparavam flashs ininterruptamente. Eu estava completamente perdido, sozinho, sem saber o que ia ser da minha vida. Assim que encontrei meu advogado no tribunal, perguntei por Cris.

_Tenho ótimas notícias. Ela conseguiu peças preciosas para a sua defesa.

_É? Mas e... ela?

_Está ótima! Fez várias coletivas e conseguiu conter a imprensa como ninguém.

_Acho que ganhou a assessora perfeita!

_Deus que me livre!

_?

_Quero correr de qualquer assessora. Só quero minha namorada e minha vida de volta.

_Vai ter! _ ele bateu nas minhas costas.

Ele estava certo. Cris dormira muito pouco para conseguir apurar tudo que fosse útil para provar minha inocência. Ela encarou aquilo como a maior reportagem investigativa de sua vida. Primeiro, conseguiu a autorização para descobrir através do dono do site onde foi postado o vídeo os dados do usuário, que levaram ao computador de Karen. Depois, um especialista conseguiu recuperar tudo que fora deletado da máquina e, com isso, pôs às claras as intenções de Karen em me prejudicar.

Um batalhão de pessoas que depôs ao meu favor contando pequenos fatos cotidianos que presenciaram me surpreendeu. Encontrei ali meus verdadeiros amigos. Eles percebiam o quanto Karen era manipuladora e que seria capaz de tudo.

Mas, nada foi tão forte quanto os resultados dos laudos que remontaram a cena. Ficou evidenciado que era possível que Karen houvesse tentado se matar e me incriminar. O júri, então, se preparou para a votação e eu vi minha família reunida torcendo por mim de mãos dadas.

Quando chegou a hora de se levantar para ouvir a sentença, meu coração era uma bomba relógio.


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4 de jun de 2008

Cap 55: O que será de mim? (Igor)

Quando a cela abriu e me chamaram para uma visita, pensei que seria mais uma conversa com meu advogado ou, quem sabe, minha mãe com alguma comida gostosa para atenuar minha tristeza. Eu só conseguia pensar na devassa que não estariam os repórteres fazendo na vida deles, filmando com helicópteros a casa dos meus pais e se debatendo contra o portão como cães enlouquecidos.

_Vai receber visita íntima é, cara? _ levei uma tapinha nas costas do policial que riu.

Eu estava tão assustado que não consegui nem perguntar o que queria dizer. Mas, bastaria mais alguns segundos para eu entender tudo. Na sala, estava ela, Cris. Eu sorri e senti as lágrimas vindo aos olhos. Precipitei-me em sua direção e parei antes que pudesse em um impulso abraçá-la. Fui contido por um gesto seu para que eu me contivesse. Franzi a testa. Entendi que nossa situação estava estremecida desde nosso último contato. Eu, porém, já tinha passado por cima de tudo.

_Já tomei a iniciativa de ser sua porta-voz. _ era aquela voz de profissional da primeira Cris que conheci que me deu calafrios. Será que eu havia perdido aquela que eu amava? _ Eu respondi às perguntas, também providenciei para que seus pais fossem para longe até o julgamento...

Kelly Clarkson - Because of You


_Não gosto de te ver falando assim...

_Assim como?

_O mesmo tom da Karen.

_Independente das questões de “tons”, é por causa dela que está aqui.

_E eu não sei? Tenho vontade de ir lá agora e matá-la de verdade.

_Não teria coragem.

_Ah! Ótimo! Pode convencê-los disso?

_Vou tentar. Já telefonei para todos que podem depor ao seu favor. Eles vão fazer a reconstituição e descobrir a verdade...

_Cris... _ toquei no seu braço com a mão algemada. _ Por favor, não me olhe assim com esses olhos frios, eu não quis...

_Acho que a hora da visita acabou. _ ela interrompeu-me.

_"Acho que a hora da visita acabou?" _ ri e carreguei a voz de ironia. _ Olha como estou? Sem comer direito, sem dormir, com essa mesma roupa! Sou eu, Cris, o cara com quem você passou noites rindo. Como pode me abandonar agora?

_Eu estou aqui.

_Não está! A jornalista está aqui. _ acabei gritando de nervosismo._ Eu não quero a assessora. Eu quero a minha namorada. Eu quero a mulher por quem me apaixonei.

_Eu vim aqui dar a cara à tapa para a imprensa. Isso não é muito?

_É com isso que se importa? Com a imprensa? Até parece que desde que atravessou aquela porta não me viu, não me enxergou. Há alguma nuvem branca que não te faz reconhecer o Igor?

_Você vai sair daqui.

_Eu quero, eu preciso, estar bem com você.

_...

_Não faz isso, por favor, não me devolva o silêncio.

_Desculpe. Eu estou tentando lidar com essa coisa toda...

_Eu te amo! _ falei alto. _ Eu não sinto nada por aquela louca. Tudo bem, confesso, a gente já passou dos limites uma vez, mas foi totalmente sem sentimentos, pelo menos para mim. É diferente do que aconteceu com a gente. E é só nisso que penso, em poder ter nossa vida de volta, Cris. Cris, olha para mim!

O guarda veio anunciar que a visita acabou. A sua partida foi uma parte de mim sendo decepada brutalmente. Por causa do amor de Cris eu me sentia ainda livre, forte, capaz. As grades não me oprimiam. Depois de ter a certeza de que ela estava chateada, tudo se tornou realmente opressor.