4 de jun de 2008

Cap 55: O que será de mim? (Igor)

Quando a cela abriu e me chamaram para uma visita, pensei que seria mais uma conversa com meu advogado ou, quem sabe, minha mãe com alguma comida gostosa para atenuar minha tristeza. Eu só conseguia pensar na devassa que não estariam os repórteres fazendo na vida deles, filmando com helicópteros a casa dos meus pais e se debatendo contra o portão como cães enlouquecidos.

_Vai receber visita íntima é, cara? _ levei uma tapinha nas costas do policial que riu.

Eu estava tão assustado que não consegui nem perguntar o que queria dizer. Mas, bastaria mais alguns segundos para eu entender tudo. Na sala, estava ela, Cris. Eu sorri e senti as lágrimas vindo aos olhos. Precipitei-me em sua direção e parei antes que pudesse em um impulso abraçá-la. Fui contido por um gesto seu para que eu me contivesse. Franzi a testa. Entendi que nossa situação estava estremecida desde nosso último contato. Eu, porém, já tinha passado por cima de tudo.

_Já tomei a iniciativa de ser sua porta-voz. _ era aquela voz de profissional da primeira Cris que conheci que me deu calafrios. Será que eu havia perdido aquela que eu amava? _ Eu respondi às perguntas, também providenciei para que seus pais fossem para longe até o julgamento...

Kelly Clarkson - Because of You


_Não gosto de te ver falando assim...

_Assim como?

_O mesmo tom da Karen.

_Independente das questões de “tons”, é por causa dela que está aqui.

_E eu não sei? Tenho vontade de ir lá agora e matá-la de verdade.

_Não teria coragem.

_Ah! Ótimo! Pode convencê-los disso?

_Vou tentar. Já telefonei para todos que podem depor ao seu favor. Eles vão fazer a reconstituição e descobrir a verdade...

_Cris... _ toquei no seu braço com a mão algemada. _ Por favor, não me olhe assim com esses olhos frios, eu não quis...

_Acho que a hora da visita acabou. _ ela interrompeu-me.

_"Acho que a hora da visita acabou?" _ ri e carreguei a voz de ironia. _ Olha como estou? Sem comer direito, sem dormir, com essa mesma roupa! Sou eu, Cris, o cara com quem você passou noites rindo. Como pode me abandonar agora?

_Eu estou aqui.

_Não está! A jornalista está aqui. _ acabei gritando de nervosismo._ Eu não quero a assessora. Eu quero a minha namorada. Eu quero a mulher por quem me apaixonei.

_Eu vim aqui dar a cara à tapa para a imprensa. Isso não é muito?

_É com isso que se importa? Com a imprensa? Até parece que desde que atravessou aquela porta não me viu, não me enxergou. Há alguma nuvem branca que não te faz reconhecer o Igor?

_Você vai sair daqui.

_Eu quero, eu preciso, estar bem com você.

_...

_Não faz isso, por favor, não me devolva o silêncio.

_Desculpe. Eu estou tentando lidar com essa coisa toda...

_Eu te amo! _ falei alto. _ Eu não sinto nada por aquela louca. Tudo bem, confesso, a gente já passou dos limites uma vez, mas foi totalmente sem sentimentos, pelo menos para mim. É diferente do que aconteceu com a gente. E é só nisso que penso, em poder ter nossa vida de volta, Cris. Cris, olha para mim!

O guarda veio anunciar que a visita acabou. A sua partida foi uma parte de mim sendo decepada brutalmente. Por causa do amor de Cris eu me sentia ainda livre, forte, capaz. As grades não me oprimiam. Depois de ter a certeza de que ela estava chateada, tudo se tornou realmente opressor.

2 comentários:

ANINHA disse...

Li!!! me desmanchei toda agora!!! que triste!!!!!!!!!! mas vou deixar uma sugestão de trilha sonora que vai combinar com esse momento dos dois: BECAUSE I'M A GIRL - KISS

BJU GRANDE!!

Laine disse...

Li, este capítulo ficou excelente!! O último parágrafo, fechou com chave de ouro, ele só se sentia livre por conta dela... Excelente!

Beijo enorme Li!
(última semana? nãããão!!!)