6 de jun de 2008

Cap 56: Sentença (Igor)

A comida horrível da prisão me fez perder 5 quilos. Meu rosto estava ossudo. Os piolhos também me obrigaram a raspar a cabeça. Olhei para o minúsculo espelho que usei para fazer a barba. A gotas de água escorriam pela pele lisa. Vesti a roupa limpa que minha mãe trouxera e fui algemado para entrar na viatura que me levaria para o julgamento.

A multidão na porta da delegacia era ensurdecedora. Gritavam acusações e me condenavam. Eu sentia o peso do outro lado da moeda. Os policiais me protegiam para que eu não fosse agredido.

Os repórteres se espremiam contra o vidro do carro e disparavam flashs ininterruptamente. Eu estava completamente perdido, sozinho, sem saber o que ia ser da minha vida. Assim que encontrei meu advogado no tribunal, perguntei por Cris.

_Tenho ótimas notícias. Ela conseguiu peças preciosas para a sua defesa.

_É? Mas e... ela?

_Está ótima! Fez várias coletivas e conseguiu conter a imprensa como ninguém.

_Acho que ganhou a assessora perfeita!

_Deus que me livre!

_?

_Quero correr de qualquer assessora. Só quero minha namorada e minha vida de volta.

_Vai ter! _ ele bateu nas minhas costas.

Ele estava certo. Cris dormira muito pouco para conseguir apurar tudo que fosse útil para provar minha inocência. Ela encarou aquilo como a maior reportagem investigativa de sua vida. Primeiro, conseguiu a autorização para descobrir através do dono do site onde foi postado o vídeo os dados do usuário, que levaram ao computador de Karen. Depois, um especialista conseguiu recuperar tudo que fora deletado da máquina e, com isso, pôs às claras as intenções de Karen em me prejudicar.

Um batalhão de pessoas que depôs ao meu favor contando pequenos fatos cotidianos que presenciaram me surpreendeu. Encontrei ali meus verdadeiros amigos. Eles percebiam o quanto Karen era manipuladora e que seria capaz de tudo.

Mas, nada foi tão forte quanto os resultados dos laudos que remontaram a cena. Ficou evidenciado que era possível que Karen houvesse tentado se matar e me incriminar. O júri, então, se preparou para a votação e eu vi minha família reunida torcendo por mim de mãos dadas.

Quando chegou a hora de se levantar para ouvir a sentença, meu coração era uma bomba relógio.


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